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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Fim de um ciclo (ou quase)

    As pessoas mais próximas a mim sabem porque estou em Porto Alegre. Aliás, suponho que estas já leiam o blog e tampouco precisariam ser lembradas de todos os percalços que me trouxeram até aqui. Mas este blog é o registro público de histórias que quero contar, sem maiores pretensões do que compartilhar como vejo o mundo, somente porque compartilhar é o que nos torna humanos. Sou mais um grãozinho na areia do universo, e, portanto, ofereço humildemente minha perspectiva a partir destes lados deste fluxo de existência irrisória - apaixonada em demasia?, talvez. Mas sincera, se isto ajudar a valorar em algo. 
    Pois bem, estou em Porto Alegre, capital de tantas belezas e desigualdades. Quem me vê falando sobre ela tem certeza que é Narciso de Caetano, achando feio tudo o que não é espelho. Mas há beleza nela sim, reconheço - prometo um dia um texto sobre ela, merecidamente. Hoje, no entanto, escrevo para contar um fim de ciclo - ou quase fim. 
    Para cá rumei por um coração cheio de esperança, jovem e tolo. Por cá fiquei por ter um coração cheio de esperança, ainda que sofrido. Por aqui estou por ter um coração dividido, meus dois amores daqui, que não são os amores de Maringá. E, nessa história com corações para cá e para lá, um Mestrado, Idealismo Material na Filosofia Kantiana, se ainda me lembro. Um projeto que nunca terminou, pois na minha vida apareceu a Restinga.         
    Deus me permitiu que, tantos anos depois, pudesse retornar, não mais para falar de Kant e me enamorar por Heidegger, mas para falar à Academia sobre essa Restinga, esses meus alunos e alunas que fizeram de mim tanto do que sou, um professor. Foram tantas desventuras! - todas elas contadas por aqui. Foram tantas e tantas doçuras, e estas também estão guardadas. O que não havia, e agora há (quase, quase), era um título, e o que ele representa. 
    São 16 anos longe de minha família, devido à escolha de estar aqui por este título, que era passagem e acabou virando morada. Por isso, nessa data, ainda formatando o trabalho e aguardando o parecer de meu orientador, faço questão de registrar aqui que o texto está pronto! (tá, pronto porque Rudah,Tanise, Élida, Lázaro, Lígia, Larissa, Teresa e Roberto querem que esteja, porque eu escreveria mais uma tantada, e quando olho para ele só vejo lacunas, rs). 
    Não sei se me tornarei Mestre, há uma banca para enfrentar e questões de prazos a se resolver. Mas o fruto do trabalho está colhido. Compartilho abaixo meus agradecimentos, e deixo para compartilhar depois algo sobre o texto, vai que me mandam reescrever tudo neh? Rs. Mas os agradecimentos são meus, e estes eu não mudarei. :) 

Agradecimentos

    O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. 

    Agradeço ao Programa de Mestrado Profissional em Filosofia (PROF-FILO) e à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pela oportunidade de qualificação e pelo espaço de diálogo acadêmico. Em especial, aos professores e professoras que incitaram uma reflexão profunda sobre nosso fazer docente, nunca desvinculando o olhar crítico e necessário de uma sensibilidade acolhedora para com os mestrandos.    
    Agradeço ao meu orientador, Professor Doutor Rafael da Silva Cortes, por dedicar seu tempo e compartilhar seus saberes de forma generosa e paciente, garantindo todas as condições para o desenvolvimento do trabalho; e por firmar exemplo na defesa de uma educação pública e qualificada. 

    Agradeço à banca examinadora, Professores Doutores Lázaro de Oliveira Evangelista, Valdy José de Godoy Junior e Paulo Hahn, pela leitura atenta e apontamentos generosos, permitindo-me lapidar as ideias que sustentam as intervenções apresentadas. E por me concederem a honra de aprender com eles nas salas de aula que compartilhamos. 

    Agradeço às comunidades escolares das escolas municipais Dolores Alcaraz Caldas, Senador Alberto Pasqualini e Nossa Senhora do Carmo, para as quais este trabalho se destina, pois me permitiram a passagem de um licenciado em Filosofia para um professor, permitindo-me intervir para que o mundo seja um lugar melhor.

    Em especial, agradeço a meus alunos e alunas, cuja coragem frente à realidade inspira que se busque quais problemas, de fato, importam. Para quem se busca propor um sentido libertador e humanizante em tantas horas passadas numa escola. As agruras da docência nesses tempos são podadas quando vocês florescem sob nossos olhos. 

    Aos colegas de mestrado, pela parceria e ótimos momentos de discussão filosófica a partir de uma vivência tão única como a escola pública. Tamanhos esforço e dedicação motivam para que insistamos, por difícil que possa parecer o caminho. Sigamos ombreados! 

    À minha família e amigos, agradeço todo o suporte que permitiu que este texto viesse à tona. À dureza da realidade, contrapuseram a doçura de presenças, leituras e carinhos, pequenos e grandes gestos que sustentaram meu ser. Por isso agradeço, nominalmente, a Rudah, por sua amizade transfigurada em leituras e diálogos; a Élida, por me ajudar a desvelar caminhos e motivos; a Tanise, por estar ao meu lado e apoiar a jornada, de mãos dadas e dedos entrelaçados.
    Para Lígia e Lara, agradeço pelas palavras de acolhida e pela certeza de que a escuta sempre estará lá. Mas, principalmente, agradeço por me permitirem compartilhar com elas esse mundo tão nosso, admirando as pessoas que se tornaram e, mesmo de longe, deixar o orgulho correr solto por um cantinho do coração.

    A Teresa e Roberto, agradeço por me permitirem chegar até aqui como o homem que sou, pelo cuidado que sempre tiveram e por todas as lições que nos tornaram gente. Agradeço por preencherem tão radicalmente essa categoria que chamamos pai e mãe, não deixando traço de dúvida sobre como amar a um filho. 

    Finalmente, agradeço a Felipe, meu projetinho de humano, por sua rica e abençoada existência, a qual me foi dado o privilégio de guardar. Dentre tantos motivos para sonhar com um mundo diferente, ele é aquele por quem não me permito desistir.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A bailarina

Ao som dos grilos e do vento, ela farfalha
em seus tons outonais, roupa e gala,
todos os olhos do mundo, faz antessala.

A luz ilumina o salão,
bailarina lhe estende as mãos.
Contrafluxo do tempo, 
canção.

Em sua dança germina o silêncio,
eu, grilo cantante, apenso,
sussurro que é quase não voz.

A noite é longa, dispara
é sua entrada!, se cala
E dança flutua por nós 




sábado, 18 de abril de 2026

Telepatia da preguiça

Numa espichada de cabeça, olho de canto:

- Cacau... 
- Oi...
- Quer ir na praça?
- Fazer? 
- Rolezin... 
- Nem, tô dormindo. 
- Então.. 
- Ã... 
- Eu tb...
- Vamo não...
- Belê...

A cabeça volta ao chão, fresquinho, para a pequena bola peluda, e quentinho ao Sol, para o grande e meigo Trovão. E assim a vida segue.   :)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Céu!

Qtos tons de azul tem o céu? Quão do verde do mar reflete num céu que lhe afaga? 

Adeus, mar! Nos vemos! (Conte com isso!!)

🙃

domingo, 21 de dezembro de 2025

Numa curva, o futuro!

Vem montanha, rio, coração? Que que surge depois que o tempo se esvai? Nuvem, névoa, trovão? Um miado de um gatinho crescido, o rugido da gatinha pequena e charmosa! Um abraço que se dá sozinho, um beijo, dois, três! Pra onde vai o tempo, quando a estrada se esvai? Pra dentro e fora do peito, fluxo constante e aleatório de felicidade. Pego o futuro com os dedos, refaço o dia e te conto um segredo: tá aí o amanhã! Depois dessa curva, tá te esperando. Bora dar um oi! 

:)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Sala de aula!

- O que vc faria se não fosse professor de filosofia? 
- Seria professor de outra coisa, uai! 
- Cê tem problema, né?
- Tenho é soluções, dezenas delas, pequeno gafanhoto! 
- Aff... 
- Cê já deu aula? 
- Não!!! Tá rogando praga por que, meu?
- Não é  praga... se nunca deu aula, pq o affff?
- Pq eh desumano! 34 turmas na semana? Só bêbado! 
- Eh, desumano eh...
- Viu? Um pouco de bom senso nessa cabeça!
- ...mas a gente humaniza!
- Ahhhh páputaquupariu!
- Calma, jovem! Tá td bem, a gente dá conta... 
- É, a conta é a da terapia fim do mês, isso sim! Sei... 
- Também. Mas não é só isso... 
- É, mais uma porrada de coisa ruim!
- Tá, tem coisa ruim tb, cê tem razão. Mas tem coisa boa... 
- A hora de ir embora!
- Hahahahahahaha... cara, eh bom tb. Mas não é só isso. 
- Sei... desembucha duma vez! 
- A gente forma gente. Cuida de gente. Ensina gente.
- Só isso?
- Tudo isso! Cê só não percebe a importância, mas tá lá... 
- Desisto!
...
- Ou!
- Que foi?
- Desiste não, viu? Sempre dá!

Panelas voam à toda! Tudo lindo!