domingo, 15 de novembro de 2009

Entrevista: FHC

No link abaixo, uma entrevista concedida por Fernando Henrique Cardoso ao El País espanhol, publicada hoje. Aceitá-lo como um líder que conduziu o país por oito anos num contexto de redemocratização e controle da inflação, implementando uma política econômica consistente e progamas sociais que deram origem ao que temos hoje, é no mínimo considerável. E, pessoalmente, colocá-lo enquanto estadista num quadro bipolar "lula x fhc" é desnecessário. Há que saber olhar além de nossos gostos políticos do momento, e contextualizar historicamente. Nem FHC foi ruim como querem fazer crer os lulistas, tampouco Lula é uma farsa de presidente como querem os tucanos. Enfim, quem tiver afim, o link abaixo. Gosto de postar links de jornais estrangeiros pois me parecem mais objetivos que nossos meios, sempre defendendo um lado. Não que os estrangeiros não o façam, mas há um distanciamento de nossos problemas que permite uma análise diferente daquela que habitualmente estamos acostumados.

http://www.elpais.com/articulo/reportajes/economia/globalizada/Ahora/hay/globalizar/politica/elpepuint/20091115elpdmgrep_2/Tes

Quién es Fernando Henrique Cardoso? "El hombre que puso a funcionar a Brasil". Así define Enrique Iglesias, secretario general iberoamericano, a este líder global, pieza clave en el despegue político y económico de su país. El milagro Cardoso fue domar la hiperinflación con el Plan Real cuando era ministro de Hacienda. El éxito del plan llevó -por accidente, según él mismo- al sociólogo e intelectual a la presidencia del país, entre 1995 y 2003.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tava tocando algo na pracinha, e veio a molecada me rodear... daí o seu Mateus me diz que gosta de Menino da Porteira, até sabe cantar... e não é que soube mesmo?! :)

Fiquei feliz! Posto abaixo uma das mais belas músicas que já ouvi... a simplicidade e a beleza da letra são raras, apesar de ser completamente subjetivo. Me traz muita coisa boa. Lembro que quando ouvi pela primeira vez o Sérgio Reis a cantava no Rei do Gado, uma frase que ficava gravada na minha cabeça de moleque era o tal do cavalo que corria mais que o pensamento... realmente, linda.

Num indo e vindo infinito

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Santa?!

(os pés do menino são os mesmos pés da criançada que corre na praça em frente de casa toda tarde... as mãos, as mesmas mãos)

As fotos que costumava ver em livros de geografia no ensino médio e que, de certa forma, haviam se esvanecido de minha memória, me vieram com estas fotos publicadas pelo estado...

http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/guerra-e-paz/

Sempre a intolerância, sempre uma causa maior, sempre marcas de terror onde não deveria haver respingos... eu quero que vão à merda todas as verdades universais de todas as religiões e dogmas possíveis. Eu quero que pessoas como as que fomentam estes tipos de situação percam seus filhos da mesma maneira. Eu quero que aqueles que colocam outra vida abaixo de seus interesses justificando-se pela fé tenham um longo caminho na morte para o nada.

Quando não há respeito por outro ser humano, qualquer batalha já está perdida. Mas e quando este outro ser humano é um imbecil que coloca uma palavra santa na boca e sai queimando bruxas ou explodindo bombas? Um dia desses, achei que a filosofia era a solução... e, de qualquer forma, melhor do que fomentar este ódio em mim...

Mas às vezes não dá. Simplesmente, não dá.

Chega de pregações enrustidas em palavras de sapiência. Chega de elencar uma vida espiritual supostamente melhor. Chega de haver quem se arrogue detentor de uma verdade sagrada. Chega de educações cristãs, budistas, mulçumanas ou atéias numa sociedade que abarca seres humanos, sem distinção. Chega de Estados que deveriam ser laicos sucumbindo às "boas vontades" deste ou daquele grupo "bem intencionado".

Chega de usar o termo religião para guerras com fins econômicos, ou para resolver conflitos com vizinhos. Religare: uma ligação com Deus, deveria significar. É uma das palavras mais bonitas que já ouvi.

E agora, olhem para a foto acima e me digam onde está o retorno a Deus? Explodir um prédio com centenas de vidas levadas com sua queda, número que se multiplica com a dor de quem fica; fazer troça com um pai ou uma mãe que perderão o seu filho simplesmente pq a puta que pariu de Alá justifica, ou pq o todo santíssimo papa um dia achou que algumas terras italianas tinham mais valor do que outras; apedrejar prostitutas nas ruas em nome da moral que defendemos arduarmente depois de sair de um confessionário; equiparar o dinheiro gasto num boteco com o do dízimo "arrendado" nos cantos sublimes de igrejas de vila... é aí que está Deus? Esse é o grandioso e maravilhoso caminho que os fdp arrogantes de merda que professam uma fé tem para mostrar ao mundo? Vamos retornar a um Deus através da submissão de outros seres humanos, passando por cima daquilo que é contrário aos dogmas que aprendemos?

É por isso que escolhi o curso que escolhi, no fim das contas. Não tinha a menor piedade de destroçar crenças de pessoas que se arrogavam melhores. Hoje mudei, não acho necessariamente que seja o melhor caminho. Até porque minha fé no próprio ser humano não passa disso, uma fé. Colocar a vida de outra pessoa em xeque, como já fiz, é algo com o qual tomo vinte e cinco vezes mais cuidado, simplesmente por eu poder estar errado. Sem contar que quando olho para imagens como a acima, percebo o quão inócuas podem ser estas palavras.

Mas há limites. E mexer com vidas é extrapolá-los. Não há o que relativizar aqui.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

:D

So I won\'t hesitate no more, no more
It cannot wait, I\'m sure
There\'s no need to complicate, our time is short
This is our fate, I\'m yours

domingo, 25 de outubro de 2009

Minhas pequenices

Tento levar a vida do meu jeito. Algumas pessoas entendem, outras não. Mas mesmo que todas pudessem compreender o que sinto, aquilo que passo é sempre íntimo demais. E hoje, mais do que íntimo, solitário. Isto é novo para mim.
Não há proximidade suficiente com alguém. Sinto sozinho então. No fundo, não é sempre assim? As alegrias mais profundas são aquelas que nos levam ao silêncio, e as tristezas, estas sabemos todos como é ruim seu caráter indivisível. Mas será que é assim mesmo?
E como explicar a sensação de recomeço quando alguém ouve nossos lamentos, como se velássemos o morto para podermos viver aquilo que nos resta? Extrapolar o que sentimos ao ouvido alheio é bom, só assim expurgamos o que nos faz mal e, se der, rimos depois de algum tempo. O princípio é o mesmo quando nos sentimos felizes, mas sua aplicação é contrária: se a felicidade é grande, grande fica sendo a vontade de espalhá-la pelo mundo, dividindo-a com quem for possível. É um modo de eternizar aquele momento que nos faz tão bem.
Enfim, nos momentos ruins amigos ajudam a dar um ponto final; nos bons, eles nos permitem as reticências que deixam o gosto de quero mais.
E hoje meus pontos finais e reticências são meus somente. Entenda-se, não é algo que me amedronte, se é assim que seja, oras pois. Mas é algo novo, e como todo novo sinto vontade de medi-lo, pô-lo em palavras, pincelar limites. Talvez dessa forma seja melhor, há todo um mundo que há por vir. E meu orgulho, por mais barato que possa parecer a outrem, não se vende. Este é o meu jeito. Está acima de pequenices.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Jackie Tequila!

Skank é uma banda anos 90 boa pacas... continua boa hj, mas lembro dos anos 90 porque em comparação com as bandas novas de hj n tem comparação... bota fresnos e nx etcs na parada... so muito mais skank (aliás, o nome esquisito, quando se para pra pensar, hehe)

Jackie uma menina
Tão bonita que enjôa
Enjôa de vertigem
Viagem de avião
Hálito de virgem
Dois olhos de amêndoa
Vaca cadela
Macaca, gazela...


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Força

Empurra a pedra, pedra que pára o tempo,

teu músculo retraído pode mesmo com ela?

Como pode essa pedra parar o tempo assim?

Suporta o peso do mundo,

dos mundos que te deram para levar nas costas, nos braços, onde der.

Leva o peso que você mesmo escolheu.

Mas teu corpo agüenta?

Onde teus pés pisam, se os prende força maior, o que pode ser feito?

Se te arcam a cabeça, quem é você para olhar pra cima?

Se vem rio correnteza, nadará da foz à nascente?

é um rio, e correnteza, meça bem tuas possibilidades:

a água não vai parar porque você não pode com ela.

Será que teu corpo pode parar o tempo, retroceder o relógio, amar o ínfimo átomo?

Será que o tempo pode ser parado?

O quanto de mim é preciso? Corpo, alma, vida. Um só, e as mãos.

Mas são tão poucas, as mãos.

Entrega, treino, dor. Silêncio, concentração, paz.

Respiração.

O vento fez com que ele sentisse. A chuva o adormeceu.

domingo, 11 de outubro de 2009

Bethânia

sábado, 10 de outubro de 2009

Brasileiro, pois não!

Abaixo, alguns textos de outros países acerca do Brasil, uma pequena contribuição de como somos vistos no mundo. Valho-me de alguns comentários preliminares, se me permitem.

Não sou Lula, ressalte-se. Não compro a Folha de São Paulo ou a Veja para pisotear e mostrar como minha face de esquerda se acende com os desmandos da grande mídia, num orgasmo que quanto mais público melhor.

Não acho que Chavez é democrata, e que tão pouco referendos sobre reeleição sejam válidos para pular instâncias institucionais, incluso aqui o senhor Uribe. Se hoje é reeleição, amanhã será sobre o interesse do próximo governante, e talvez o tema não seja tão sucinto. Se há uma classe política, ela é aquela apta a governar, a pensar no bem comum (ou assim deveria ser). Atenda-se às massas em todos os seus clamores e teremos perseguições às minorias, populismo desenfreado, pão e vinho no fim da tarde. Jesus concordaria comigo, se não fosse mártire.

Não acho que o mensalão fora só uma grande jogada de mídia para derrubar um governo que, salvo as garras da elite sórdida do país, deveria desde já ser canonizado. Tampouco dou ouvidos aos famosos saudosistas, aqueles que não se cansam de dizer que tudo começou no passado, que o governo anterior é fonte do mal, e agora travamos uma luta inglória (e sim, vamos irmãos!) a favor do bem. Certo é certo, errado é errado. Que o país tenha um sistema político ruim e permita mensalões da vida não exclui de responsabilidade aqueles que usam o bem público em interesses excusos. Seja deste governo, seja de outro governo.

Não gosto, me permitam o friso, deste clima maniqueísta onde o atual é bom e o antigo é ruim. É ridículo que o foco das eleições futuras seja já a velha ladainha de que se mudar de governo, o mundo acaba. Não, o mundo não acaba, pois o Brasil está num caminho de institucionalização progressiva, e salvo o público alvo das campanhas publicitárias dos partidos políticos, há bastante gente que pode enxergar esse fato. Tão ridículo quanto a dona Regina dizendo que tinha medo. Dá ânsia de vômito.

Enfim, não sou governista, não sou pmdb vendido, não sou coalizão em troca de sucateamento do aparato público, não gosto de quem votou no Collor e acho, sinceramente, esdrúxula a posição dos petistas que antes criticavam até pensamento sobre supostos figurões da vida política brasileira e hoje se calam por estarem no poder. Mas enfim, não sou petista, e achar esdrúxulo ou não não me cabe, eles que se resolvam com o que tem. Meu primeiro voto foi para José Cláudio, meu segundo para o Lula, e de fato era um partido que eu respeitava. Isto é um problema, sobre quem votar agora... minha preocupação com o partido, no entanto, isto já não importa.

Bom, não sou Lula. Mas tampouco Serra, Aécio, Ciro, Marina. Não acho o tal do psdb um exemplo de partido, e não há, para mim, como ler Veja e não sentir asco pela linha tendenciosa que escancara. Defender o Michelleti esta semana como detentor dos bons costumes da democracia foi... me falta o termo... idiota? Não, de idiota não tem nada, é tudo muito bem bolado para vender uma certa imagem para nós, os verdadeiros idiotas. Nas páginas amarelas ,como Cuba é o inferno em Terra! E o povo vai consumindo estas informações, avidamente por cultura da classe média. Média, de mediano mesmo... e antes que me ataquem os medianos de plantão, me assumo parte de vós, ó irmãos. Sou tão classe média quanto estas palavras deixam transparecer. Ninguém é perfeito, fazer o que.

Voltando à Veja: não acho Zelaya e seu referendo flor que se cheire, como se pode implicar das falas acima. Mas até então era o presidente eleito, e sua destituição é golpe de estado. A implica em B, e ponto. Golpe de estado se condena, não se faz apologia. E Cuba, to bem de boa de ir pra lá ein... mas isso não faz com que esqueça que boa parte da pobreza daquele país é devido ao embargo comercial americano, algo que revistas bem intencionadas esquecem de frisar com suas criancinhas chorando de capa chamativa.

Sinceramente, não acredito em imparcialidade jornalística da Globo. Vc já viu o jornal nacional anunciar matéria sobre a vida dos sem-terra? Tirando a parte em que pés de laranja são destruídos, focando na bobeira das barracas de lona e gente sem ter de onde tirar o seu sustento? Porque pobre não passa de estatística, quando o problema é pequeno... tantos passam fome, tantos morrem, tantos tem desnutrição infantil... e estatística, meus caros, se engole com a janta em frente ao televisor, no máximo um suspiro surge da cena. Já os pés de laranja, ah, estes, meu Deus, como revoltam ein... closes exclusivos das ações dos marginais, opiniões de autoridades condenando o ato, até o tal do Evandro Junior escrevendo artigo escrachando aqui na querida cidade (e a função de um vereador, que é bom, nada... mas isso não é importante, a grande massa tá nem aí se pagamos o salário de pessoas despreparadas para um cargo público simplesmente pq tem nome)...

(Quer falar de propriedade vereador? Fale da função social da propriedade, que é mais coerente com alguém na vida pública e que deveria zelar pelo bem comum)

Ridículo, simplesmente. Não, não sou um fervoroso comunista que come criancinhas, tenho bem trabalhado comigo a noção de propriedade e sua função num quadro social. Simplesmente porque propriedade é anterior a este besteirol ideologizante que nos vendem todos os dias, tanto esquerda quanto direita. Ah, e prefiro pés de laranja em pé, muito mais úteis. Mas a tendenciosidade com que movimentos sociais são demonstrados chega a ser, para um observador atento, revoltante.

Enfim, entrevistar o Serra sobre as Olimpíadas quando quem deu a cara a tapa e choro foi o Lula é marca do que a tal da direita pode fazer, descaradamente.

Mas vá lá, que o texto já é longo demais, e se pá nem tão coerente. Tudo se resume ao fato de ser brasileiro, e sentir orgulho de sê-lo. Fora a discussão sobre quem tem o pipi político maior, ou quem tem o dom do messianismo mais arraigado em sua alma de homem do povo e respectivos cupinchas (ótimo termo), os textos abaixo mostram um pouquinho desse sentimento. Sim, nós podemos. Somos líderes da AL, e, por mais megalomaníaca que seja a postura do Itamaraty, hj o Brasil tem voz ativa. Voz de quem não se esconde, de quem não deve nada a franceses, espanhóis, norteamericanos ou chineses. Voz de quem não se impõe, mas mostra ao mundo que tem posição, e que ouve as posições alheias. No choro do presidente Lula, aumentamos nosso sentimento de cidadãos do mundo.

Há momentos em que a guerra por poder fica de lado, ao menos para o expectador; que o cotidiano das politicagens que nos cercam fica de lado; que esquecemos nosso asco pelos problemas de nosso país. E isto, isto é o que sinto agora. E não posso negar meu respeito por aquele que assumiu este fardo. Não sou governo, como ninguém em bom juízo deveria ser... Mas tenho orgulho deste presidente. E que suas falhas sejam corrigidas com aqueles que lhe sucederem, sempre partindo de uma amadurecimento popular que cobre e aprenda a fazer com que seus governantes funcionem. Utopia? Não, só consciência de trabalho duro à frente.

O Brasil, segundo o La Nación chileno

Brasil apuesta fuerte en Honduras

/ La Nación Domingo Por Raúl Sohr

El Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ha pretendido ninguna neutralidad en el conflicto interno hondureño. Lula dijo que era incorrecto llamar “gobierno de facto” al régimen instalado en Honduras, pues ello equivalía a “sofisticar el golpismo”. Ninguna nación latinoamericana lo ha reconocido. Lula ha ido más lejos.


La llegada de Manuel Zelaya a la embajada brasileña en Tegucigalpa es un capítulo notable de los cambios que vive América Latina. El hecho de que el depuesto Presidente, luego de un azaroso viaje en la maleta de un vehículo diplomático, haya escogido refugiarse bajo el alero brasileño dice mucho sobre la percepción de poder en la región.

Estados Unidos fue, hasta ahora, un factor determinante en una nación que era reconocida como la república bananera por excelencia. Los gobernantes hondureños no sólo debían contar con el visto bueno de Washington, sino que, hasta hace algunas décadas, también con el de la United Fruit, que explotaba el banano. En la actualidad, Estados Unidos mantiene una importante presencia militar en el país, en la base área de Palmerola.

Zelaya pudo pedir la protección estadounidense. ¿Lo habría recibido el gobierno de Barack Obama? Tanto el Presidente como Hillary Clinton, su ministra de Relaciones Exteriores, han sido explícitos en condenar el golpe de Estado y exigir la vuelta de Zelaya a la presidencia. Obama está en una incómoda posición. En primer lugar, Zelaya era un duro crítico de la política exterior estadounidense. Era uno de los que favorecían abandonar la Organización de Estados Americanos (OEA) para crear un organismo regional que excluyese a Washington. Hay todavía aspectos turbios como que Zelaya fuese llevado por la fuerza aérea hondureña a la base de Palmerola antes de deportarlo a Costa Rica. En el plano doméstico estadounidense, la oposición republicana ha salido en defensa activa de los golpistas. Ello quedó de manifiesto con el bloqueo en el Senado al nombramiento de Arturo Valenzuela -propuesto por Obama- para el cargo de secretario asistente de Estado para Asuntos del Hemisferio Occidental.

Descartado Estados Unidos, es llamativo que Zelaya no haya optado por la segunda mejor opción regional. En tiempos no tan distantes, México hubiese sido la elección obvia por su gravitación en la zona. En cambio, eligió a Brasil y, por cierto, éste último lo admitió en su embajada. El Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ha pretendido ninguna neutralidad en el conflicto interno hondureño. Lula dijo que era incorrecto llamar “gobierno de facto” al régimen instalado en Honduras, pues ello equivalía a “sofisticar el golpismo”. Ninguna nación latinoamericana lo ha reconocido. Lula ha ido más lejos. No sólo exige, en una original alianza con Chile y el propio Estados Unidos, que se cumpla a cabalidad el Acuerdo de San José, que exige reponer a Zelaya en la presidencia, sino que le ha ofrecido que permanezca en su embajada mientras sea necesario. Lula señaló que lo ocurrido en Honduras es un nefasto precedente para toda América Latina. A su juicio, tolerar la consolidación de los golpistas abriría las compuertas al siniestro pasado de las dictaduras.

En los hechos, quizá sin habérselo propuesto en forma anticipada, Brasil ha quedado en una posición de claro liderazgo regional. En estos momentos, tiene una mano fuerte en el ámbito internacional al contar con el respaldo de Estados Unidos, la Unión Europea y de todos los países de la región que apoyan el Acuerdo de San José. En especial, tiene la simpatía de Hugo Chávez, quien ha brindado todo su respaldo a Zelaya. El Mandatario venezolano ha cumplido con su propósito de hacer lo que esté a su alcance por reinstaurarlo. La operación de retorno a Honduras contó, según lo ha dicho Chávez, con su activa participación. A sabiendas que Estados Unidos graba todas sus conversaciones telefónicas, habría dado pistas falsas sobre dónde se encontraba. Chávez señala así, en forma implícita, que los servicios de inteligencia alertarían a los militares hondureños sobre el paradero de Zelaya.

En definitiva, todo dependerá de lo que ocurra con las fuerzas políticas en Honduras. El cerco internacional es fuerte y el país centroamericano, uno de los más pobres del hemisferio, ha perdido ya considerables ayudas que alcanzan al 6% de su PIB. La clave está en los militares. Al parecer, el ejército ha dado a entender que preferiría un arreglo político antes que mantener la presente situación de crisis. Es evidente que la estrategia del gobierno de apostar a que se calmasen las aguas no prosperó. La llegada de Zelaya fue un golpe maestro. Demostró la gran fragilidad política del régimen que encerró a la población de Tegucigalpa en sus casas durante 60 horas a través de un toque de queda. La completa paralización, que incluye todos los vuelos internacionales, tiene un costo diario de 50 millones de dólares para el país. Esto ha puesto de relieve hasta qué punto es disfuncional la actual administración para todos los sectores sociales.

En situaciones en desarrollo, como la hondureña, no cabe anticipar cómo concluirá el conflicto. La extrema tensión a que está sometida la nación centroamericana no puede mantenerse por tiempo indefinido. Si la salida política garantiza un retorno al curso democrático, Brasil obtendrá una victoria política y diplomática de proporciones mayores.

http://www.lanacion.cl/brasil-apuesta-fuerte-en-honduras/noticias/2009-09-26/174311.html

O Brasil, segundo o El país espanhol

"Lula, ¿quieres ser Presidente de México?"

En el lamento y en la euforia, también se calibra al líder. Y en su capacidad de contarnos otra historia, aún más. 2 de octubre, Río de Janeiro se alza airosa. El Comité Olímpico Internacional (COI) ha fallado y el Presidente brasileño regresa a casa con la sede olímpica para el 2016 en la bolsa. En el camino quedaba Tokio, que nunca despegó del todo; Chicago, que se sintió sobrada; Madrid, que entregó el alma. Pero Río sedujo. Y al final sólo podía haber un ganador.

Especulaciones aparte, quienes han analizado con frialdad el fallo del COI identifican muchas razones que hacían de Río de Janeiro LA opción. Y ya ha corrido mucha tinta sobe este particular. Pero desde los grandes escenarios mediáticos, la justa por la sede olímpica terminó convirtiéndose en una lucha de titanes: otra confirmación de que los liderazgos andan más repartidos que en otras épocas; y que tienen sus propias formas de mostrar el músculo.

El gran vapuleado: Obama. Nadie es profeta en su tierra -o casi nadie- y el Presidente de Estados Unidos sigue resintiendo las embestidas del aparato mediático conservador u opositor, que encuentra en cada desliz la materia suficiente para el escarnio reiterado. "El mundo rechaza a Obama. El ego ha aterrizado", sentenciaba Matt Drudge, estrella del periodismo electrónico que publica el Drudge Report (espacio de importantes primicias periodísticas, como aquélla que se convertiría en el escándalo Lewinsky). Contundente la crítica: ¿no que el mundo estaba tan enamorado de Obama? Cuando el Águila (como se nombra al Presidente de Estados Unidos) aterrizó, su ego ya se le había adelantado. "Vain Obama", rezaban los titulares: la vanidad, decían los que lo hacían, pudo más que la sensatez.

¿Acaso los Obama pensaban que no habría problema u obstáculo que no se derritiera ante "el fulgor de su carisma"? Y contaron: de 16 párrafos constó el discurso de Michele Obama; 34 veces utilizó el pronombre 'yo'. Obama lo hizo 23 veces en un discurso de no más de 13 párrafos. ¿Así o más vanidosos? La crítica mediática en Estados Unidos fue lapidaria. En Copenhague, al argumentar a favor de Chicago como sede olímpica, sus críticos aseguran que Obama mostró lo que es: arrogante. En realidad, a pocos importaba el asunto de la sede olímpica (casi nadie se refirió a los otros suspirantes), y sí mucho las crecientes fricciones internas que desde hace tiempo amenazan con polarizar aún más a ciertos sectores estadounidenses. "Vain Obama"; si se le queda, terminará siendo la marca de su mandato. Los medios calibran al líder, y la historia que él trata de contar aún debe afirmarse.

Lula, en cambio, lloró. Alegría, sentimiento, baile, entrega, corazón, pasión, lágrimas que resaltan la humanidad revestida. Frente a la imagen fría de un Obama que busca la sede olímpica en el discurso del 'yo', la exhuberancia de un Lula que pide la gracia de los dioses del Olimpo para el pueblo y para el Sur. Ajedrez de titanes que se expresa en el lienzo mediático. Cuentan que cuando Boabdil entregó las llaves de Granada a los Reyes de Castilla, se echó a llorar. Su madre, inclemente, dijo: "llora, llora como mujer lo que no supiste defender como hombre". Porque hay de lágrimas a lágrimas: las que restan virilidad - según los cánones del macho-, y las que suman dignidad. El 2 de octubre, Lula lloró desde esta otra dimensión. Los medios calibran al líder, y la historia que él trata de contar comienza a anidar.

Sabemos bien que la realidad tras la decisión del COI es mucho menos romántica que los escenarios que nos pintaron los medios de comunicación, y en los que reflejamos también nuestros deseos y nuestras fobias. Quienes buscaron la sede olímpica para el 2016 hicieron su tarea, cabildearon, gastaron grandes cantidades de dinero, y se sometieron al juego de muchos otros factores que terminaron por apuntar hacia el sur latinoamericano. Pero siempre es interesante, por lo que resulta de esclarecedor, revisar de qué manera nos proyectamos en las historias que se desarrollan frente a nosotros.

No habían pasado minutos siquiera del fallo del COI, y en México ya se había desatado la opinión: "si fuéramos como Brasil, ¡carajo!", "¡qué envidia!", "ese sí es Presidente y no fregaderas". Los medios locales abrieron espacios importantes para comparar a México y Brasil, siempre en detrimento del primero, claro está. Opinaron todos: líderes políticos, empresarios, académicos; ah sí, y alguno que otro deportista. La constante: lo que México pudo ser y lo que Brasil ya es. Se compararon liderazgos, se confrontaron proyectos. Las redes sociales al rojo vivo; DJNaquito circuló la ''Cumbia Río de Janeiro', desde Twitter comenzó el llamado: "¿y si invitamos a Lula a que venga a ser Presidente de México?". No les cuento la respuesta, basta con que sumemos imaginaciones. Sin decirlo, desde el jolgorio y la crítica, estábamos ponderando las historias que cuentan: la de Lula y la nuestra.

La realidad se impone. Tokio, Madrid, Chicago, Río de Janeiro regresan a sus cotidianeidades. Brasil deberá responder en su momento a las grandes expectativas; Obama continúa sus luchas por las reformas de salud y la agenda pendiente. Pero ese 2 de octubre, y los días subsecuentes, nos mostraron, desde esa lucha de titanes que magnificaron los medios de comunicación, que hay algunas historias que hoy se mueven en el mundo, y algunos personajes que las interpretan, que hacen más vivible el horizonte. En el lamento y en la euforia se calibraron a los líderes; pero también en la ausencia de los mismos.

Entonces qué, Lula, ¿te animas a ser Presidente de México?

GABRIELA WARKENTIN

http://www.elpais.com/articulo/opinion/Lula/quieres/ser/Presidente/Mexico/elpepuopi/20091008elpepuopi_1/Tes

O Brasil, pelo Clarin argentino

Aprendamos de Brasil estrategias de largo plazo

Antes que preocuparnos porque el país vecino se rearma, hay que tomar nota de cómo sabe sostener un proyecto envidiable de desarrollo nacional.



La aproximación superficial a la cuestión de la compra de armas de Brasil es sobreactuar el temor, olvidarse de la política y caer en la psicosis infundada alertando respecto del supuesto hecho de que habría comenzado en la región una carrera armamentista.
Lo que está ocurriendo es otra cosa. En realidad, la noticia es que en América latina hay un país, Brasil, que a lo largo de las últimas décadas ha animado una estrategia de largo plazo. Al presidente Lula le ha tocado dar este paso, en el marco de un proyecto estratégico, que no es otro que el de hacer de Brasil una potencia económica y política regional y mundial.
Este nuevo paso es similar a su estrategia de hacer de Brasil un país petrolero, en un mundo en que la incertidumbre energética es una constante. El análisis de que la consolidación del poder militar brasileño es una nueva muestra del desarrollo permanente de la estrategia del proyecto nacional adquiere una magnitud mayor si consideramos que no es una política limitada a las gestiones de Lula. El proyecto Brasil potencia tiene raíces anteriores al histórico momento en que el PT llegó al Planalto y seguramente continuará consolidándose independientemente del color político del sucesor de Lula.

Dicho de otra manera, este proyecto no es de Lula exclusivamente y no corre riesgo ante una eventual finalización del poder del PT. En este marco, es lógico que Brasil quiera tener capacidad militar, no para constituirse en una amenaza, sino para construir su futuro y como un aspecto de la credibilidad que busca construir para sí para convertirse en potencia global, así como lo es su inversión y desarrollo tecnológico.
Brasil está equipándose en todos los terrenos. Lo que ocurre es que, a diferencia de componentes como el tecnológico y económico, el militar continúa siendo tabú para algunos. Pero a esta altura del desarrollo de la política mundial, debe entenderse que el dispositivo militar de un país es una fuente más, por cierto indispensable, en la construcción de un país que tiene un proyecto estratégico de largo plazo.

Por otra parte, no podemos dejar pasar por alto un tema evidente pero clave: los argentinos somos vecinos de esa potencia mundial. No sólo eso: somos socios económicos y políticos en el Mercosur y políticos en Unasur. Esto no es un dato menor. La condición de preeminencia de Brasil a escala regional y la de actor clave y expectante a nivel mundial nos afecta directamente, pero no en términos negativos.

Al contrario, su condición de potencia nos interpela de la mejor manera, nos ofrece la alternativa de un desafío. ¿Qué vamos a hacer nosotros como país?, podría ser la pregunta introductoria. No podemos ser indolentes ante el influjo de una potencia. Sería imperdonable.
¿Cuál es la alternativa? Aprovechar el estar en su zona de influencia, para diseñar un proyecto estratégico a largo plazo, como plataforma de lanzamiento de una política tendiente a desarrollarnos como país con proyecto de nación y firme decisión de recuperar el tiempo perdido.

http://www.clarin.com/diario/2009/09/23/opinion/o-02004559.htm

O Brasil, por um jornal colombiano

El poder blando

El que Brasil sea superestrella de la diplomacia, además del fútbol y de la samba, no es secreto para nadie.

Durante la última década, su clasificación como estado BRIC, su ingreso al G-20, su participación en la iniciativa trilateral del Sur, India-Brasil-Sudáfrica (IBSA), su protagonismo en esquemas regionales como Mercosur y Unasur, y su ingreso al reducido club nuclear submarino, entre otros, han ido confirmando el estatus de la quinta población y novena economía del mundo como potencia global. Entre todas las estrategias diplomáticas empleadas para llegar allí, la menos discutida han sido los esfuerzos brasileños en el ámbito de la diplomacia pública.

Como otros poderes emergentes, Brasil ha buscado reconstruir su “marca”. Mientras que China ha reestructurado su propia comprensión de lo que significa ser un país socialista en el siglo 21, así como la forma en que dicha imagen se proyecta hacia el exterior, India se ha constituido en la nueva meca de las tecnologías de información y comunicaciones, así como el cine. Las palabras del presidente Lula al ganar el pulso por la sede de los Juegos Olímpicos de 2016 sugiere algo sobre lo que quiere Brasil: “Ahora vamos a mostrar al mundo que podemos ser un gran país. No somos Estados Unidos, pero hacia allá vamos y allí llegaremos”. Se trata de una apuesta por representarse como una alternativa a la hegemonía estadounidense, pero al mismo tiempo como su igual.

La diplomacia cultural ha sido la base de estas nuevas marcas. Esta otra dimensión de la política exterior se ha convertido en un eslabón fundamental, en especial para los países en desarrollo, ya que alimenta muchos otros objetivos al crear un ambiente positivo en torno a un país en el ámbito internacional. Lo “cultural” —que países como Brasil exhiben de forma magistral ante el mundo— es un arsenal básico de lo que Joseph Nye ha llamado el “poder blando”. Su gran potencial radica en su capacidad de promover la imagen, así como la agenda política de un país de forma sutil pero seductora, dado el supuesto (equivocado) de que la cultura está por encima de la política.

El deporte es la política cultural por excelencia. Dado su amplio atractivo popular, es un vehículo natural de las relaciones internacionales. Ser la sede de una Copa Mundial o de unos Juegos Olímpicos ofrece la oportunidad de cautivar la atención de hasta dos tercios de la población mundial y de ganar publicidad e influencia instantáneas. Por ello, los países han peleado esta oportunidad. En algunos casos, como el de Europa del Este durante la Guerra Fría, el reconocimiento deportivo constituyó un paso obligado hacia el reconocimiento político en la ONU. Los Juegos Olímpicos de Beijing, por su parte, ratificaron la emergencia de China en el escenario global. Y para Sudáfrica, cuyo régimen de segregación racial fue motivo de boicoteos deportivos, la Copa Mundial es un poderoso símbolo de legitimidad.

Como otros países que han utilizado el deporte, así como la diplomacia cultural en general, para fortalecer su marca (y su posicionamiento) internacional, en el caso de Brasil el poder blando está produciendo importantes dividendos políticos. Las lágrimas de Lula no son para menos.


http://www.elespectador.com/columna165283-el-poder-blando

  • Arlene B. Tickner

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Classe média

Vindo do blog do Lukas, este blog sobre a classe média que adicionei aos blogs seguidos... o Classe média Way of Life!

Abaixo, um dos textos de lá:

Dica 29 - Afirmar que não existe racismo no Brasil

Para se tornar um genuíno membro da Classe Média brasileira, você não pode ser racista. Simplesmente porque, na ótica da Classe, o racismo não existe no Brasil. Não existe privilégio para nenhuma raça, tudo se pode conseguir através do esforço e do trabalho, seja a pessoa médio-classista ou negra. Convença-se disso.

Racismo hoje, talvez só nos Estados Unidos. Ali sim já se praticou racismo "do bom", racismo "de raiz", onde qualquer um pode encher um neguinho de porrada ou atear fogo na casa dele quando quiser... Mas hoje, nem lá as coisas são como eram... o presidente deles é negro, então os negros não têm do que reclamar.

Tome cuidado! Essa história de cotas, de segregação racial, de discriminação e tratamento diferenciado não pode afetar sua culta percepção do mundo, a percepção de quem recebeu uma bela educação paga nos melhores colégios católicos. Você dever entender isso como mera coisa de livros de História, coisa que ninguém lembra mais, da época em que trouxeram os negros escravizados da África, situação que logo mudou quando a Princesa Isabel assinou a tal parada, e desde então brancos e negros têm acesso ao que quiserem em igual condição.

Para demonstrar a seus estimados colegas da Classe o quanto você faz por merecer a aceitação no grupo, discuta, sempre que surgir o tema, sobre como os negros simplesmente não querem estar na mesma posição dos brancos (lembre-se de representar uma "indignação analítica contida" quando disser isto). Você causará suspiros de admiração, será ouvido e respeitado por seus pares. Argumente que, se você conseguiu chegar onde chegou, qualquer negro também conseguiria, pois este é um país onde o mérito funciona e é a base de tudo. Diga que você acha estranho, mas talvez, por uma questão de gosto pessoal, eles prefiram jogar capoeira a ir para a Universidade (novamente contenha a indignação de palestrante culto). E dê o veredito: se os negros estão reclamando, botando a culpa nos brancos, querendo cotas, se organizando em grupos culturais, movimentos de ações afirmativas e bandas de música black, eles é que são racistas! (neste ponto, você fica autorizado pela audiência a ignorar a autocontradição).

Por fim, para dar o golpe de misericórdia e carimbar de vez se passaporte ao mundo da Classe Média, fale sobre sua relação com os negros. Decore: você não deve ter nada contra nem a favor deles. Você os trata como qualquer pessoa, e às vezes, com humilde magnificência, até dá bom dia ao jardineiro do prédio e à diarista. Você não namoraria uma pessoa negra, mas até daria uns pegas (se ela não contasse pra ninguém). Você acha que o Governo tinha que criar Escolas Técnicas para "capacitar" pessoas para o trabalho manual, o que é uma ótima alternativa para os negros arrumarem empregos. Defenda o ponto de vista que explica que as Universidades, as vagas de Juiz de Direito e a alta sociedade têm pouquíssimos negros apenas por coincidência, ou até mesmo uma questão estatística: eles existem mesmo em menor número, tanto que você quase não os vê nas festas que frequenta. E, no final, você deve rir dizendo que ainda tem gente que acredita nessa baboseira de "casa grande" e "senzala".

O pedófilo é artista

LISBOA - Deve um homem de 77 anos pagar por um crime cometido há três décadas? Depende do crime. Se falamos de furto ligeiro ou abuso de liberdade de expressão, não existe uma única alma compassiva que não encolha os ombros e mande o sujeito em paz. A velhice, por vezes, já é castigo que baste.

Mas o cenário muda radicalmente quando o homem em questão drogou e violou (vaginal e analmente) uma jovem de 13 anos. Aqui, o meu coração estremece. E as dúvidas, confesso, transformam-se em pó. Não que seja um pudico nessas matérias: posso entender que um adulto se sinta atraído por uma menor, desde que a "menor" em causa demonstre um grau de maturidade sexual e emocional que relativize a questão etária. Mas uma violação é uma violação é uma violação.

O auditório talvez concorde comigo. Mas o mesmo auditório sente dúvidas quando trocamos a expressão "homem de 77 anos" pelo nome "Roman Polanski".

Duas semanas atrás, o famoso diretor polonês foi preso na Suíça e agora corre o risco de ser extraditado para os Estados Unidos. Motivo conhecido: em 1977, na casa do amigo Jack Nicholson, em Los Angeles, Polanski, então com 44, drogou e violou Samantha Gailey, então com 13. Levado a tribunal, e após acordo entre as partes, a acusação abandonou o crime de violação e ficou-se por relações sexuais com uma menor. Polanski aceitou o negócio, confessou o crime e, depois da confissão, fugiu dos Estados Unidos. Nunca mais lá voltou. E agora?

Agora, políticos de toda a Europa e a elite cinematográfica de Hollywood clamam pela libertação de Polanski. Argumentos? Vários. Uns dizem que Polanski já cumpriu a sua pena, ao ser forçado ao "exílio na Europa" durante 30 anos. Outros evocam o passado trágico do homem: a família que pereceu no Holocausto; a sua condição de sobrevivente ao genocídio nazista; o brutal homicídio da mulher, a modelo Sharon Tate, às mãos da quadrilha Manson. E todos relembram que a própria "vítima" já perdoou a Polanski.

Não vale a pena perder tempo com nenhum destes argumentos: o "exílio na Europa" (como se a Europa fosse o Ruanda e Polanski tivesse nascido em Marte); um passado de tragédias pessoais; e até o perdão de Samantha Gailey não alteram a natureza do crime, que nenhuma sociedade civilizada pode ignorar.

Os argumentos em defesa de Polanski servem apenas para iludir, de forma hipócrita, uma verdade essencial: ninguém defenderia Roman Polanski se ele não fosse um "artista". No fundo, ninguém defenderia Polanski se não persistisse entre nós a ideia romântica (no sentido próprio do termo) de que os "artistas" não se submetem ao mesmo código ético e legal que regula a humanidade inteira. Pelo contrário: os "artistas" criam a sua própria moral e, no limite, serão julgados por ela.

Defender Roman Polanski apenas porque ele é Roman Polanski é dizer, implícita e perversamente, que a pedofilia é tolerável desde que o pedófilo dirija filmes.


João Pereira Coutinho, 33, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.

E-mail: jpcoutinho@folha.com.br
Site: http://www.jpcoutinho.com

Bethânia e Gonzaguinha

Bethânia... ouvir música e não passar por ela, é fingimento de ouvir...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Formatura



Da série "Formatura: tirando o atraso", a foto de hj é de um sujeito extremamente feliz... note-se bem a língua pra fora, arremedo de felicidade!

Bom dia!

Um sábado qualquer!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Morte

A morte é um exagero. Vi isso nestas mensagens de youtube geralmente atribuídas ao Pedro Bial. Texto bom, música a caráter. Piada sem graça, a cessão de uma vida. A linha do texto era essa: você estuda coisas que não vai usar, escolhe uma profissão em meio a tantas outras, toma decisões durante a vida toda... e, quando a vida está a ser desfrutada, ela acaba. Simplesmente acaba. Não vem com explicação, não vem com hora marcada, não espera que se resolva pendências.

Imagine aquele amigo que tomou uma cerveja gelada contigo no dia de ontem, com quem compartilhava sonhos (ele que queria casar com a garota mais bonita da rua e ter um piá pra soltar pipa!), com quem as coisas mais irresponsáveis pudessem ter co-autoria, com quem jogar papo fora de domingo sempre foi algo bom. Daí você liga pra ver qual parte do mundo vocês vão conquistar naquela noite, e do outro lado ninguém atende. Nunca mais. Não adianta ligar de novo.

Imagine o irmão que te atura desde pequeno, com quem teve brigas homéricas e os maiores momentos de afeto na vida. Vocês são iguais, mais do que imaginam. Aquela volta pra casa conjunta da escola, e da outra, e da outra. A primeira namorada de um, a primeira briga de outro. O cafuné que sempre surge nos momentos ruins. A certeza de que aquela pessoa estará ali quando precisar, sempre. Mas um dia, você liga pra saber do sobrinho, do tempo, do time de futebol, ou qualquer outra coisa que te faça ouvir a voz que guarda de cor. Mas ninguém atende. Não adianta, mais uma vez, e mais uma, ligar novamente. A voz se fora.

Lembre daquele sujeito meio simples, que trabalha com você e adora um café no meio do expediente. Ele te levou na sexta para as tarefas que tinha que fazer, contando causos durante todo o trajeto. Na segunda, mais uma vez saída de campo, e o homenzinho não mais poderá ajudar. Se fora no fim de semana, acidente na estrada. Sem causos, sem risos, sem café. Você não precisa ligar, ele não era tão íntimo assim. Mas como ser o “bom dia!” habitual uma fala sincera? Não dá.

Imagine que tem um filho. Você o fez homem. Ensinou-lhe sobre verdade e mentira, certo e errado. Quando pequeno, voltava machucado da rua nas suas andanças de bola, e era você quem cuidava dos machucados. Quando te acordava com café na cama, levava consigo um sorriso do tamanho do mundo, e a roupa toda suja com o pó que derrubara. No dia de sua formatura, fala quietinho pra si mesmo, num orgulho contigo: meu filho! E pensa que agora já pode envelhecer, e esperar os netos para fazer doces e contar histórias, deixar que corram livre pelo quintal em meio ao jardim.

Bom, não haverá netos. E você passará o resto da vida perguntando se Deus existe, e o que raios fez de tão ruim para viver mais do que seu filho.

A ordem natural das coisas, como diz o textinho do youtube, fora quebrada. Qualquer ordem, digo eu, é quebrada com a morte. Em qualquer momento, com qualquer pessoa, nunca estaremos preparados para lidar com a perda do próximo... ainda mais dos próximos mais próximos. Toda arrogância vai-se embora, não há o que arrogar. Todo medo se materializa em ato puro, de um puro agudo, que machuca. Já não há o medo de sentir medo, é o próprio monstro do armário que aparece no divã, chama para um café, nos lembra, calmamente, que nosso desespero é vão. É como se você pegasse teu melhor presente e jogasse ao mar – ele não volta mais. Mas a diferença é que, com a morte, não se escolhe o presente, nem o momento, nem respeita-se arbítrios.

As pessoas que amamos se vão, simplesmente. Cedo ou tarde. Não duvido que sofra muito pouco ao morrer. Antes fosse assim com aqueles que se vão antes da gente. Ou não: seria plenitude de deuses, impassíveis perante a dor. E o tempo que estivéssemos aqui seria pura e tediosa desvairia. Vida sem sentido algum. Por mais subjetivos que sejam, os sentidos que a morte faz com que descubramos para a vida são reais. Além deles, muito pouca coisa para um ser humano é importante de fato. E isto, infelizmente, nos lembra tão bem aqueles que nos deixam sós neste mundo, e assim faremos quando partirmos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Amigos


Bom, como não tenho orkut, foto vai aqui mesmo! Tem umas da festa da formatura que quero compartilhar, então vo postando aos poucos aqui... e pra começar, uma emblemática:

Jack (grandeee Jack!), eu, Liliam (devidamente apontada pelo 'ela' em cima), o xodó da turma Ciro, velho e bom Ed Baratão, alcunha Wederson, meu caro Rudah (o cara pôs social mano), o primeiro mestre da turma Fabiano, e meu caríssimo Thiago!

Ufa! Bom demais tê-los ao lado... :)

Me llevás?

Sensacional o comercial! Tá, ao menos bonitinho... :D

domingo, 20 de setembro de 2009

Cachaça


materinha legal da globo.com sobre a cachaça... onde eu acho as artesanais, ein? no mercado n tem :(


Cachaça da boa mesmo é produzida em quase todo o Brasil. E, a outra boa notícia, é que São Paulo produz algumas das melhores cachaças já há algum tempo, superando inclusive as badaladas pingas mineiras. No 1º Concurso da Cachaça, realizado durante o 5º Brazilian Meeting on Chemistry of Food and Beverages, em 2004, em São Carlos, a 232 km de São Paulo, a vencedora na categoria "cachaça envelhecida" foi a Cachaça do Rei, de Capivari, a 137 km de São Paulo. Na categoria ‘descansada’, outra paulista: a Cachaça Campanari.

Nas 2ª e 3ª edições do concurso, realizados em 2006 (em São José do Rio Preto, a 438 km de São Paulo) e 2008 (em Lorena, a 198 km de São Paulo), novas vitórias de cachaças paulistas na categoria envelhecida, ambas produzidas pelo Alambique Santa Elisa, de Patrocínio Paulista, a 412 km de São Paulo. Em 2006, a ganhadora foi a Elisa Premium. E, em 2008, a Elisa Extra Premium.



A diferença entre a cachaça envelhecida e descansada é o tempo de conservação de cada uma em tonéis de madeira. Depois do processo de destilação, a cachaça ‘descansa’ por 60 dias em tonéis para que as substâncias – mais de 300, segundo os especialistas - decorrentes da fermentação da garapa assentem. Já a envelhecida, conforme norma estabelecida pelo Ministério da Agricultura, tem de ficar no mínimo um ano em tonel de madeira (carvalho, amburana, amendoizeiro etc.) de no máximo 700 litros.

“É um grande mito apontar as cachaças de Minas como as melhores do Brasil. Há cachaças muito boas em São Paulo e muito ruins em Minas e vice-versa. Há cachaças boas na Bahia, Paraná e outros estados. A questão é que o marketing de Minas Gerais saiu na frente”, afirmou Douglas Wagner Franco, professor do Instituto de Química de São Carlos e um dos organizadores do concurso bienal da cachaça.

As diferenças nos sabores da cachaça são possíveis devido aos diferentes tipos de levedura utilizadas na fermentação e ao processo de envelhecimento nos tonéis de madeira. A Cachaça do Rei, por exemplo, depois de um ano ‘descansando’ em tonéis de carvalho de 200 litros, fica mais um ano em tonéis de carvalho de 7.000 litros, mas com tampas de madeira de amburana.

“A madeira da amburana deixa o gosto da cachaça doce, enquanto que o carvalho ‘seca’. Então, há um equilíbrio. Além disso, utilizo um fermento ‘caipira’, totalmente natural, que está na natureza. O resultado é uma cachaça de sabores primários bem acentuados”, explicou o agrônomo e proprietário de alambique Reinaldo Annicchino.
As cachaças Elisa Premium e Elisa Extra Premium, por sua vez, ‘descansa’ por até quatro anos em tonéis de carvalho de 200 litros, segundo o proprietário do Alambique Santa Elisa, Christian Johnson. A produção do alambique teve início em 1996. “Desde o início, foi meu pai (Bruce Johnson) quem idealizou e se empenhou para produzir uma cachaça de alta qualidade”, disse Christian.

E por que são as cachaças mineiras que levam a fama? Para os dois produtores, os mineiros, em termos de marketing, saíram na frente de 10 a 15 anos na frente para divulgar a cachaça do estado. “Eles montaram uma associação de produtores e começaram uma estratégia de marketing bem antes dos paulistas. Isso pegou no país inteiro”, reconheceu Christian.
Às vésperas de a cachaça ser reconhecida como um produto legítimo do Brasil pelos Estados Unidos, a qualidade da bebida é o ponto central que vem sendo discutido pelos produtores e especialistas. A produção anual no país é de 1,2 bilhão de litros e existem cerca de 30 mil produtores envolvidos no setor, segundo estimativa da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cachaça. Cerca de 46% deste total é produzido em São Paulo.

A ressalva a ser feita é que apenas uma pequena parte desta produção pode ser considerada de qualidade. “Tem a qualidade e tem o mercado. São coisas diferentes”, enfatiza o professor Douglas Franco. Ou seja, o consumidor que quiser apreciar uma boa cachaça tem de deixar de lado as que são oferecidas nos balcões dos bares ou as que estão expostas nas gôndolas dos supermercados.

Segundo José Batista de Almeida e Silva, professor de tecnologia de bebidas da engenharia de bioquímica da Universidade de São Paulo (USP) de Lorena, é possível produzir cachaça com fermento de padaria e consumi-la em dois dias. “A questão, no entanto, é a qualidade. As de boteco, por exemplo, não são nem envelhecidas. Não tem qualidade alguma. Para produzir uma cachaça artesanal de qualidade, é preciso uma série de cuidados, como a escolha da levedura, da madeira e outros itens”, garantiu.

Devido a isso, a cachaça acaba virando alvo de preconceito, segundo os produtores. “O pessoal enche a boca para dizer que toma uísque, mas que não toma cachaça. Uísque se não for envelhecido os oito anos é muito ruim. Uma cachaça de boa qualidade é tão saborosa quanto um uísque”, defendeu Christian.

Por isso, o reconhecimento dos Estados Unidos, previsto para o primeiro semestre de 2010, de acordo com a câmara setorial, seria fundamental para a cachaça ganhar status de bebida de qualidade, na visão dos produtores. “Quando eu exportava para os Estados Unidos, antes da crise, as garrafas tinham que ir com a etiqueta embaixo com os dizeres braziliam rum (rum brasileiro), mas não se trata de rum. São bebidas diferentes”, relatou Christian.

A expectativa de Reinaldo Annicchino, inclusive, é que a taxação para exportar a cachaça para os Estados Unidos caia. Para eles, o mais importante seria, no entanto, que a cachaça deixasse de ser conhecida no exterior apenas como uma bebida que serve para fazer caipirinha e virasse uma marca reconhecida, com identidade própria, como o uísque da Escócia, a vodka da Polônia e o rum do Caribe.



“Cachaça é a aguardente de cana do Brasil. Viraria uma marca regional. Deve contribuir bastante para aumentar o consumo da bebida em todo o mundo”, acredita o professor José Batista.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Palim








quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lukas

Saudades de Itamar e Hargreaves

Alexandre Barros (texto retirado do Estadão on line)


As acusações, tricas e futricas entre os poderosos dão-nos saudades do presidente Itamar Franco e de seu chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves.

Itamar chegou ao poder por acaso, com a queda de Fernando Collor de Mello. Era visto por muitos como insignificante e desastrado. Hargreaves era antigo funcionário da Câmara dos Deputados, famoso pelo conhecimento de leis fundamentais para o relacionamento do Executivo com o Congresso. Itamar levou-o para o Palácio.

Concentremo-nos em algumas atitudes da dupla, lembrando que o atual presidente do Senado se encastela para se defender de acusações que pipocam novas a cada semana e o atual presidente da República desafiou uma subordinada a provar alguma coisa contra a ministra-chefe da Casa Civil, como se a esta faltasse língua ou capacidade.

Ao assumir a Presidência, Itamar pediu a renúncia de todos os ministros, direito dele. A versão anedótica (que não é verdadeira, mas conto-a para ilustrar o fato) foi que, ao incluir os três ministros militares (Exército, Marinha e Aeronáutica - ainda não havia Ministério da Defesa) na troca, teria sido procurado por um alarmado Fernando Henrique Cardoso, perguntando-lhe se ia mesmo demitir os três ministros militares (o que Itamar fez). Itamar questionou: "Por que, Fernando, você está preocupado com eles?" Ao que este teria respondido: "Não, Itamar, estou preocupado com você!"

A cena não aconteceu. Conferi com as fontes. Mas a versão viveu na minha cabeça e ainda vive no imaginário de muitos observadores. Ela é significativa por expressar o susto dos observadores com a "audácia" de Itamar: pedir a renúncia dos ministros militares. Isso nunca tinha acontecido. Não foi audácia, foi apenas simplicidade e retidão. O presidente é dono de todos os cargos de ministro, e pediu-os. Os ministros militares em nada diferiam de seus colegas, exceto por usarem farda.

Foi o ato mais importante para restabelecer a primazia do poder civil no Brasil pós-regime militar.

O outro episódio tem mais que ver com a situação de hoje. Hargreaves, chefe da Casa Civil, foi acusado de algum ato ilícito e pediu para sair do cargo, a fim de não embaraçar seu chefe, o presidente.

Com a mesma singeleza com que pediu e recebeu os cargos dos ministros militares, Itamar anunciou publicamente as acusações contra Hargreaves e informou que ele seria afastado enquanto durassem as investigações. Concluídas estas, com a mesma singeleza Itamar anunciou que, como nada havia sido encontrado de ilegal ou desabonador no comportamento de Hargreaves, ele voltava à Chefia da Casa Civil.

As lições que ficam:

Negar repetidamente acusações que aparecem de todos os lados, numa democracia, não transforma mentiras em verdades de tanto repeti-las. Goebbels só conseguiu fazer isso porque o nazismo era uma ditadura.

Na democracia, mais importante do que defender-se ou a amigos, com retórica, é usar a luz do Sol como o melhor desinfetante. Richard Nixon e Bill Clinton foram punidos porque mentiram. John Dean, advogado da Casa Branca no período de Nixon, conta em seu livro Blind Ambition como a teia de trapalhadas e mentiras vai ficando cada vez mais espessa. Acabou na cadeia, com outros colegas de alto coturno. John Mitchell, ministro da Justiça de Nixon, foi condenado, preso e algemado e assim saiu de seu escritório rumo à prisão.

Precisamos de alguma regra, a ser estabelecida, não sei se por costume ou por lei, que defina a Presidência da República e o Supremo Tribunal Federal como cargos terminais. Depois deles, voltar à política partidária ou à banca privada não pode ser aceitável. Evita-se o espetáculo de um ex-presidente da República batendo boca no Senado, ainda que em sua defesa.

Presidentes não batem boca com subordinados, desafiando-os a provar isso ou aquilo, seja em defesa própria, seja em defesa dos aliados. Essa atitude não combina com a tal "liturgia do cargo", abusivamente citada. Quanto mais cresce a crise, menos "litúrgicas" ficam as atitudes de gregos e troianos.

Ex-presidentes e ex-ministros do STF precisam ter uma pensão decente para não terem desculpa para precisar voltar à política ou à banca - até hoje não sei se Itamar foi embaixador na Itália, na OEA e em Portugal porque precisava do salário ou porque Fernando Henrique o queria longe.

Ex-presidentes não ficam falando mal de seus sucessores. Eduardo VII, filho da rainha Vitória e rei da Inglaterra por pouco tempo, recebeu um pedido de clemência para um regicida, ao que respondeu: "Não posso perdoar as pessoas que matam os membros da minha profissão." De ex-presidentes se esperam bons exemplos e excelente comportamento.

Quando Hillary Clinton foi eleita senadora, um repórter perguntou ao ex-presidente Clinton se iria morar em Washington, ao que ele respondeu: "Depende de vocês (repórteres). Se ficarem me fazendo perguntas a toda hora sobre o atual governo, vou embora daqui" - não precisou esclarecer que não faz parte do comportamento de ex-presidentes ficar criticando os membros de sua profissão, nem dividindo as sociedades e politeias.

Finalmente, 5 e meia da manhã, inverno em Washington, um dia qualquer, muito frio, saída de passageiros internacionais do Aeroporto Dulles, na Virgínia, vi, acompanhado de uma ou duas de suas filhas, de roupa esporte, o ex-presidente Itamar Franco, em pé, perdido entre as pessoas comuns que esperavam amigos que chegavam. Hargreaves estava no voo. Tive o impulso de dizer a Itamar: "Bom dia, presidente, o dr. Hargreaves está na alfândega, mas deve sair já." Mas minha timidez me impediu.

Então, digo hoje: "Bom dia, presidente. O senhor, o dr. Hargreaves e seus exemplos deixaram saudades."


Alexandre Barros, cientista político (Ph.D. University of Chicago) é diretor-gerente da Early Warning: Análise de Oportunidade e Risco Político

sábado, 12 de setembro de 2009

Mundial de Kendo

Reportagem da band sobre o mundial... eu to lá (notem um ser vermelho pensativo ao fundo) hauihaiuhaua

foi uma baita experiência. e meu: os caras batem, batem muito! :)


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Entrevista da minista Dilma Rousseff ao Financial Times

Vale a pena ler... ela explica como funcionará o marco regulatório proposto pelo governo ao Congresso. É bom saber a opinião de alguém que possivelmente comandará o país (isto não é, necessariamente, uma expressão de apoio), ainda mais sobre um tema que relaciona-se diretamente com o que seremos num futuro médio.

Tradução disponibilizada pelo Vi o Mundo:

parte 1

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-entrevista-de-dilma-ao-financial-times-1/

parte 2

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-entrevista-de-dilma-ao-financial-times-2/

parte final

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-entrevista-de-dilma-ao-financial-times-3/

Como fazer um shinai

Cara, muito fera! Eu quero aprender! Será que só de olhar sai alguma coisa? haiuhuihauiahua :D

Como fazer um shinai - continuação

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Lukas

Um sábado qualquer! :)


sábado, 5 de setembro de 2009

Cigana

Espera o moço na areia, na beira de sete léguas, a cigana Margarida. Lê mão como cigana, a tal. Permeia indos e vindos, soletra magias várias, acaba que sentencia:

- Amor, seu moço, é guria.
- Mas por isso lhe paguei, não me venha com aforias!

Dado o pesar do rapaz, a cigana Margarida, esperta em seu fazer, matuta na pontaria, desdiz o que se segue, contramão que arredia:

- Vida vareia campina seu moço, não há juiz que desdiga.

O moço já enfadado, procura o laço soldado, soldante de infantaria. Ameaça milho e chofer, esquadrilho quando escaler, por modo que sentencia:

- Velha veja meu dinheiro, que aqui não há paradeiro, de onde eu arrede o pé. Dou-te o chicote dobrado, se acaso malfadado, acordo que postes fé.

A velha matreira sorriu. Argüiu o jovem rapaz, lhe botou em maus lençóis, com aquilo que se seguiu:

- Não rogue deveras praga, que em cigana não pega. Antes vire delegado, arrume do bom salário, te sirvas de boa beca. Faça valer condição, tua mãe te fez varão, a toa que não se entrega. E procure no sabulhão, pedaço de comichão, alguém que te sirva a festa.

O moço desconsolado, vendido e mal arrumado, se foi pras léguas atrás. Cigana que tinha vivido, dois meios a mais sucumbido, seguiu caminhão capataz. Da história que se contou, das duas uma valeu: nem amor se compra fácil, pedaço doce melaço, com magias e afins; muito menos obstante, vale conselho de errante, se cobrado querubins.

Dar a quem?

Dar a quem amor perdido,
se amar é começo de torta,
que requentada muda de tom?

Dar a quem, este amor bandido?
Por três contos de réis entrego,
mas que seja em honoráveis mãos.

Dar a quem o meu eu doído,
ressecado por longa geada,
germinando uma nova estação?

Dar a quem trova bonita,
pedaço de minha lida,
lápis, caderno e borrão?

Dar a quem vai me faltando
vou por isso recortando
minha vida em narração.

Pois quem quer que venha a ouvir,
saberá que houve aqui,
contador de profissão.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Do baú: Rótulos!

E fechando a série de antiguidades de hoje, texto que lendo agora me apraz.


Quem sou eu, me pergunto de vez em quando. Já respondi esta pergunta algumas vezes, o blog é a maior prova disso. Mas mesmo assim, acabo sempre sem saber quem sou no todo – rótulos, clichês, gêneros, grupos. O certo de todos estes momentos é que não sou contido neste ou naquele rótulo – um pouquinho neste, outro pouquinho naquele, mas nunca totalmente contido. Um que me vem à mente agora seria o grupo daqueles que não se conseguem digitar um texto se não for justificado e espaçamento entre linhas de 1,5 – síndrome de Tadeu, talvez. Mas enfim, mesmo as manias deste que vos escreve não o abarcam em todo seu ser. Por que seria?

Ora, porque sou humano, é a obviedade. Porque assim somos: incompletos, buscando a completude por uma existência inteira. Corro, corro, corro, quando o que mais quero é ficar parado; sonho de homem é ser pedra. Mas sou humano, e por mais que deseje um rótulo para ser como a pedra, este rótulo não virá. Eu tenho consciência disso, uma consciência tão grande e tão pesada que com poucos posso compartilhar, minha sina de querer a plenitude e justamente por querê-la descobrir que não posso tê-la – afinal, o que mais seria a filosofia senão a tomada de consciência do homem de seu ser no mundo, com todas as suas impossibilidades inglórias e todas as suas possibilidades infinitas?

Sou humano, e uma impossibilidade me subjaz: ser somente, ser pedra. Mas por ser humano, todas as possibilidades do mundo se abrem para mim – eu escolho o que ser, mesmo sabendo que este ser nunca ficará em silêncio e sempre se projetará para o mundo me lembrando de que eu estou vivo. Sim, sou no mundo. Não há sentido para o ser humano se não como uma consciência no mundo, num além de si que acaba dando significado a este turbilhão ao que chamamos “eu”. Todos podem entender estas palavras? Não, porque se pudessem o mundo seria melhor – teríamos homens livres discutindo valores, haveria respeito mútuo e um senso de beleza no outro que hoje é praticamente anedota. Utopia? Aboli o maniqueísmo de minha vida a certo tempo, como os adultos geralmente fazem, então a questão não é se é sonho ou realidade.

Pessoas que vivem somente de sonhos não dão frutos, pessoas que se atentam somente à realidade cotidiana esquecem que podem mudá-la. O que é o tempo? Condição de possibilidade de conhecimento, segundo Kant, vá lá. Um dia, num período de dor muito grande, escrevi que o que somos nada mais é do que as lembranças passadas e os sonhos futuros – o presente é só passagem. Mesmo correndo o risco de parecer repetitivo, não é isso? Construção, construção, construção, com as plantas baixas na cabeça sempre apontando um devir. Desejo de homem é ser pedra. Cada lembrança minha é um degrau que me empurra pra cima, cada sonho meu é um degrau me chamando pra um café – ou cerveja, se onde estiver este tal degrau for quente como aqui. Nossa vida é movimento – por que não entrar no reino da redundância?

Eu aprecio esta vida, eu aprecio ser humano, eu aprecio não caber em rótulos. Eu aprecio minha incompletude. Aprecio poder escolher, aprecio saber que escolhendo eu me responsabilizo. Eu aprecio ser este turbilhão para fora de mim, que depende tanto dos outros para ser algo. Sim, sou humano; imperfeito, tijolo por tijolo – é a graça. Quem sou eu? Aquilo que pareço. O que pareço? Isso não importa, não para mim. Seria egoísmo demais me fechar em mim e colocar ‘fechado para balanço’ - não é justo com as pessoas que me cercam. Quem sou eu? Alguém que vive, está e não está, que ao mesmo tempo é e não é, que é uma constante mudança.

Sei lá, sou alguém que às vezes se cansa. Sou humano, não um rótulo.

Do baú: o livro que nunca veio a ser

Tá, confesso que tá mais pra jogo de rpg do que pra livro... mas véiiii... magina se saisse da primeira página, ã? best seller, mora? :)

Os filhos de Deus

Os seres humanos não estão sozinhos na Terra. De forma quase que irreconhecível, vampiros e demônios de diversos tipos habitam entre nós, sob uma maldição: seres que abandonaram a humanidade e ganharam atributos como a perpetuação eterna da existência e a clarividência se tornam reféns de suas conquistas - suas vidas se tornam de uma eterna angústia e o uso dos poderes leva-os cada vez mais ao inferno interior. Permanecem eternos somente no mundo dos homens, sem domínio dos três tempos da vontade de Deus e isolados da fonte de toda vida da qual Deus é agente.
Estes que pagaram o preço ao Criador coabitam conosco e buscam a única coisa que lhes é possível: o poder terrestre, e fomentam o desejo inconsciente de acabar com a angústia e a dor – em cada pedaço de célula desses seres um ódio emana e seus instintos assassinos voltam-se, como num sonho, contra o mesmo ser: aquele que limitou-os simplesmente por ter-lhes criado, como se a força criadora não lhe transcendesse também. Mas tal força está sob o domínio daquele que chamam de Deus, e contra isso nada pode ser feito – nem mesmo o mais esplêndido ser criado pôde negar-lhe a primazia, sendo condenado a se afastar da verdade da vida e se alimentar sempre da ruína de seus próprios sonhos, consumindo-os.
Mas a barreira dos três tempos pode ser quebrada, e é a própria força criadora que o permite:
ela está conectada com cada criação, e nem os portais de Deus poderiam barrar-lhe. Algo tão valioso se mostra ao alcance daqueles que desejam a queda do agente da criação, mas apenas seu sucessor poderá se valer disto unindo um exército suficientemente forte para atacar sua força especial: os chamados “Filhos Escolhidos de Deus”, os anjos mais poderosos do império divino que atrelam a misericórdia divina à fúria das “Santas Espadas”. Estes escolhidos se assemelham a Lúcifer, que os liderou por boa parte de seus caminhos, e se verão intimamente ligados ao conflito entre o Criador e o tutor que os guiou tantas vezes como exemplo. A causa poderá ser ganha por quem mantiver os Escolhidos ao lado, e aquele que agora os lidera se aproxima perigosamente de seu antigo capitão.
A guerra supra temporal se aproxima, maldade e bondade se relativizam e o poder por um força de criação movimenta o sub mundo abaixo de nossos cotidianos. Quais mistérios estão por trás da natureza de Deus? Será ele um despótico dono do poder que usa assassinos docemente criados com faces de anjos? Lúcifer, o sucessor, poderá ocupar o lugar que a ele predestinou-se um dia? Como poderá transcender a barreira dos três tempos de Deus e enfrentar a fúria implacável dos Escolhidos? E como os Escolhidos lidarão com o maior paradoxo da criação: a liberdade?

São eles seres tão apaixonados quanto Lúcifer, e a dor em matar cairá em cada um deles ao tentar impedir o irmão de dominar os tempos criados. Eles mesmos odiarão, e serão subjugados por emoções dos tolos homens, origem do mal que visam exterminar. A pureza os abandonará, e sangue manchará as penas brancas símbolos de sua santidade....

Textinho antigo... antiguidades do baú, ora pois!

Insistência minha essa sabe? Qual o nome do teu destino?
As pessoas passam sempre tão centradas em si que desconfio de sua condição social. Pessoas pelas quais me encanto, pessoas pelas quais viveria. Hoje reencontrei alguém sem ser reencontrado, e me fiz ansioso, e assim estou. Morreria por ela? Viveria por ela....? A vida não passa de um amontoado de ilusões mais doces ou menos doces, que nos fazem mais ou menos mal, que nos embriaga de uma maneira ou de outra. Morreria por aquela que tive ao meu lado, e que de tudo senti tão próxima de mim?
Ah, mas que raios de amor é esse que some assim.... quão real é o fazer-se, ser para ser... mas tudo bem, meu ser e devir cabe a mim, e a mais ninguém... e como é mal: meu ser e devir é no mundo, e pertence a todos! Sentimentos de ser sendo, de ter, perecer, de manter-me quieto.... pois em todas estas inquietações me mantenho quieto, e meu movimento se destina ao silêncio. Juro que não quero! Juro que prezo inconscientemente a desordem, e a massa, e o turbilhão de emoções que há no mundo. Estar sendo, de alguma forma...
Sendo, me afirmo, e me nego, e me faço.
E sou feito.
Me chamaria a vida de infeliz? Se chamasse mentiria. E se chamasse de feliz, mentiria. E mentiria muito tentando chamar a vida de alguma coisa, apesar de por muitas vezes tê-lo feito...
Onça tava no mato antes de ser onça....
Caras-pintadas, iluministas, franciscanos, socialistas, mercadores (mercadorias)... Mulher-bicho, bicho homem, sertanejos, terroristas.... Mundo mundo, vasto mundo esse...
Onça era no mato muito antes de ser onça.
E por isso sou,
sendo,
e faço de mim o que quero,
muitas vezes não querendo.
E te acho num lugar que não devia.

Burns 16

Da série "canções inéditas de uma banda que não veio a ser"... cara, bem produzidinho a gente deixava o nxzero no chinelo! hiuahaiuhaiuhaua... (tá, isso n é motivo de orgulho, fique claro :)

Música: Tuas flores

Autor: Marco

BAIXO

(E B C#m A)

Tuas flores, o teu mundo

Teu sorriso para mim

Teus sabores, entre tudo

Teu sorriso para mim

BANDA

Tuas flores, o teu mundo

Teu sorriso para mim

Teus sabores, entre tudo

Teu sorriso para mim

Eu queria saber o que fazer agora

Só queria esquecer do mundo e tecer nossa história

( B A C#m A )

Mas não vou tirar você da memória

Teu sorriso me guia pro mundo lá fora

Tuas flores, o teu mundo

Teu sorriso para mim

Teus sabores, entre tudo

Teu sorriso para mim

SOLO

Eu queria saber o que fazer agora

Só queria esquecer do mundo e tecer nossa história

Mas não vou tirar você da memória

Teu sorriso me guia pro mundo lá fora

Tuas flores, o teu mundo

Teu sorriso para mim

Teus sabores, entre tudo REPETE REFRÃO

Teu sorriso para mim


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pitty



Perceba que não tem como saber
São só os seus palpites na sua mão
Sou mais do que o seu olho pode ver
Então não desonre o meu nome

Não importa se eu não sou o que você quer
Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia, se vier
Mas não desonre o meu nome :D

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Beudo


domingo, 23 de agosto de 2009

sabe que que dá duas guitarras e dois caras, diria, fodas? uma 'conversa'... huiahiuahauhauha

vem conversar assim aqui no tribão pô!


Etta

e, a pedido meu, a escolhida a dedo pelo rudah para representar bem neste blog essa senhora que... dispensa comentários.

Winehouse

essa canta muito... muito mesmo!



ah, e o vídeo que queria postar era este: http://www.youtube.com/watch?v=lqSKVv6YO8g

mas desativaram a incorporação :( .... bão, o acima também é bão! :) aprecie-se!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fight!

hauhaiuahiuahiuaa, jesuis, isso é hilário dimais... direto do blog do Lukas!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Maringaense, com orgulho

Tem quem não goste, chame provinciana a cidade... há quem goste, no entanto!

quanto mais ando por aí, mais quero voltar para cá, :D

que venha Porto Alegre! enquanto não vem, o hino que maringaense aprende garoto (com ufanismo e tudo)


Rir é o melhor remédio...

rir! porque às vezes me pego crendo em .... destino! hauiahiahuiahua

(percebam o swingado da versão!)

a vida, se fosse uma pessoa, seria comediante =D

e eu, eu vo tocando... bah!


O Senado e a ética

Alguns leitores me cobram um comentário sobre a crise no Senado. Começo-o por uma inconfidência: estou com aquilo que os antigos romanos chamariam de "saccus scrotalis repletissimus".

No primeiro grande escândalo político durante minha carreira jornalística --as denúncias que culminaram no "impeachment" de Fernando Collor de Mello--, eu sabia de cor e salteado cada uma das lacunas nas explicações oficiais. Era capaz de dar os nomes dos agentes financeiros envolvidos na Operação Uruguai, o alegado empréstimo de US$ 5 milhões que o ex-presidente providenciou para justificar seus gastos na Casa da Dinda, e estava a par de todos os fatos e boatos acerca das disputas intestinas da família Collor de Mello.

Quando e então mandatário foi finalmente afastado da Presidência, eu e outros milhões de brasileiros estávamos convencidos de que o país abraçara um novo --e melhor-- paradigma no que diz respeito à tolerância para com os desmandos da classe política.

É claro que novos escândalos se sucederam, e meu ímpeto em acompanhá-los (que é um indicativo da disposição para cobrar resultados) foi aos poucos arrefecendo.

Hoje, é só por dever de ofício que eu ainda sigo o noticiário atinente ao clã Sarney. E inicio a leitura dos textos já ansioso para chegar ao final. É um assunto ao qual dedico porção mínima de minhas memória e "vis mentalis". Essa desatenção não é algo de que eu me orgulhe, mas confesso o lapso por considerá-lo importante para tentar entender o que está acontecendo.

Minha hipótese para a inércia na qual caímos, na qual escândalos se sucedem sem que nada aconteça, passa pelo que os epidemiologistas chamam de saturação dos suscetíveis. A classe média urbana politizada, um segmento que já não é tão grande assim, representaria o universo dos suscetíveis, isto é das pessoas que ligam para a política, ficam indignadas com as tramoias dos governantes e, em condições normais, exigem providências cada vez que algum mandatário é apanhado com a boca na botija. Ocorre que a repetição de toda sorte de esquemas de corrupção e compadrio sem que nada de mais palpável acontecesse levou à saturação dessa força de mudança social.

É verdade que os jornais seguem noticiando as traquinagens da família Sarney, as redes de nepotismo, os desvios de verbas e superfaturamentos. O Ministério Público, com toda probabilidade, continuará propondo ações contra tudo o que lhe pareça suspeito, mas, de algum modo, o tema deixou de comover. Ele já não mobiliza a sociedade. Não se veem mais caras-pintadas a cobrar o "impeachment" ou a renúncia de autoridades que os decepcionaram.

Acredito que muito desse processo de saturação tenha a ver com a chegada do PT ao poder. Durante duas décadas, representantes do partido constituíram a linha de frente dos que denunciavam a corrupção. Eram uma voz a ser ouvida, em especial porque os políticos da sigla estavam invariavelmente de fora dos esquemas que se desbaratavam. Hoje, sabemos que era mais por falta de oportunidade para locupletar-se do que por excesso de fibra moral, mas essa é uma outra história.

O fato é que Lula venceu as eleições, assumiu a Presidência em 2003 e, dois anos depois, veio o mensalão. O escândalo de compra de deputados teve um duplo efeito. Do lado das "positividades", serviu para mostrar que a política não se divide entre a turma do bem e a súcia do mal. Esse tipo de maniqueísmo funciona bem em Hollywood, mas é um pouco simplista demais para dar conta do mundo real. Se a política partidária ficou mais difícil de compreender e pouco propícia para entusiasmos, ela agora ao menos não se presta mais a esse tipo de ilusionismo. E isso é bom.

Do lado negativo, entretanto, os desvios petistas contribuíram para esticar ainda mais os limites de nossa tolerância para com as falcatruas de políticos. Depois de Lula e o PT, praticamente tudo passou a ser permitido. O "eu não sabia" do presidente da República evoluiu para as explicações escarnecedoramente absurdas dadas por Renan Calheiros e José Sarney. Incrivelmente eles não apenas continuam vivos na política como são forças das quais os prováveis candidatos à sucessão de Lula buscam aproximar-se ainda que de forma envergonhada.

Tenho um palpite para explicar o fato de termos nos conformado com os desmandos, em vez de nos tornarmos cada vez mais intransigentes nessa matéria, como seria de esperar depois de Collor.

Numa simplificação grosseira da história da filosofia, existem duas matrizes de sistemas éticos. A primeira, que podemos chamar de deontológica, têm como expoentes Platão e Immanuel Kant. Para esses autores, são os princípios que importam. Uma regra como "não matarás" ou "não mentirás" valem incondicionalmente, seja porque estão amparadas pela ideia de Justiça, por Deus, pelo imperativo categórico ou por alguma outra entidade metafísica.

Na outra ponta está o consequencialismo, cujos grandes defensores incluem Jeremy Bentham e John Stuart Mill. Basicamente, eles dizem que não existem princípios externos abstratos como a ideia de Justiça que possam validar ou invalidar nossos atos. A única forma de julgá-los é através das consequências que acarretam. Vale dizer que são boas as ações que engendram bons resultados. No caso específico de Bentham (conhecido como pai do utilitarismo), o que importa é o princípio de utilidade, que pode ser traduzido na fórmula: "o maior bem para o maior número de pessoas".

Embora essas duas matrizes sejam em princípio mutuamente excludentes no plano intelectual, nós, seres humanos, estamos sempre divididos entre elas. E por boas razões. Levados até o fim, tanto a ética deontológica quanto o consequencialismo produzirão paradoxos que não estamos dispostos a aceitar. A impossibilidade de mentir em qualquer caso preconizada por Kant me levaria, por exemplo, a admitir a agentes da Gestapo que eu escondo judeus em meu sótão, delito que me custaria a vida bem como a dos fugitivos. Já o consequencialismo me obrigaria a aceitar como válido o ato do médico que mata o sujeito saudável que entra em seu consultório para, com seus órgãos, salvar a vida de cinco pacientes que necessitavam de transplantes.

De algum modo, a rápida sucessão de escândalos nos afastou da ética de contornos claramente deontológicos e nos empurrou para uma matriz mais consequencialista-pragmática. É como se disséssemos a nós mesmos que, uma vez que todos os políticos roubam, só o que nos resta é escolher aqueles que, sem negar sua natureza, se mostrem mais eficientes ao promover o bem-estar geral. Foi assim que os sucessos econômicos ajudaram Lula a superar a crise do mensalão e o levaram a desenvolver anticorpos contra todas as denúncias. Pior, seus anticorpos acabaram imunizando também aliados do quilate de Renan Calheiros e José Sarney, para ficar apenas na categoria de presidentes do Senado.

Não tenho nada contra as éticas consequencialistas, que, em várias esferas, como a da bioética, funciona melhor do que os códigos puramente deontológicos, mas receio que nós estejamos exagerando. Não podemos, apenas porque a economia vai bem e não vemos alternativas viáveis aos atuais políticos, simplesmente esquecer todo e qualquer compromisso com o decoro republicano. Se o cinismo se impregnar definitivamente na vida pública, estaremos rifando nossas chances de erigir uma sociedade democrática com padrões de decência política compatíveis com os de nações do Primeiro Mundo. Já não sonho com isso para mim ou meus filhos, mas quem sabe para os netos que ainda não tenho.


Hélio Schwartsman, 44, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.

E-mail: helio@folhasp.com.br

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mais de "Um sábado qualquer..."






muito bom \o/

Continuação


Um sábado qualquer...

Drummond

Acorda, Luis Mauricio. Vou te mostrar o mundo,
se é que não preferes vê-lo de teu reino profundo.

Despertando, Luis Mauricio, não chores mais que um tiquinho.
Se as crianças da América choram em coro, que seria, digamos, do teu vizinho?

Que seria de ti, Luis Mauricio, pranteando mais que o necessário?
Os olhos se inflamam depressa, e do mundo o espetáculo é vário

e pede ser visto e amado. É tão pouco, cinco sentidos.
Pois que sejam lépidos, Luis Mauricio, que sejam novos e comovidos.

E como há tempo para viver, Luis Mauricio, podes gastá-lo à janela
que dá para a "Justicia del Trabajo", onde a imaginosa linha da hera

tenazmente compõe seu desenho, recobrindo o que é feio, formal e triste.
Sucede que chegou a primavera, menino, e o muro já não existe.

Admito que amo nos vegetais a carga de silêncio, Luis Mauricio.
Mas há que tentar o diálogo quando a solidão é vício.

E agora, começa a crescer. Em poucas semanas um homem
Se manifesta na boca, nos rins, na medalhinha do nome.

Já te vejo na proporção da cidade, dessa caminha em que dormes.
Dir-se-ia que só o anão de Harrods, hoje velho, entre garotos enormes,

conserva o disfarce da infância, como, na sua imobilidade,
à esquina de Córdoba e Florida, só aquele velho pendido e sentado,

de luvas e sobretudo, vê passar (é cego) o tempo que não enxergamos,
o tempo irreversível, o tempo estático, espaço vazio entre ramos.

O tempo – que fazer dele? Como adivinhar, Luis Mauricio,
o que cada hora traz em si de plenitude e sacrifício?

Hás de aprender o tempo, Luis Mauricio. E há de ser tua ciência
uma tão íntima conexão de ti mesmo e tua existência,

que ninguém suspeitará nada. E teu primeiro segredo
seja antes de alegria subterrânea que de soturno medo.

Aprenderás muitas leis, Luis Mauricio. Mas se as esqueceres depressa,
Outras mais altas descobrirás, e é então que a vida começa,

e recomeça, e a todo instante é outra: tudo é distinto de tudo,
e anda o silêncio, e fala o nevoento horizonte; e sabe guiar-nos o mundo.

Pois a linguagem planta suas árvores no homem e quer vê-las cobertas
de folhas, de signos, de obscuros sentimentos, e avenidas desertas

são apenas as que vemos sem ver, há pelo menos formigas
atarefadas, e pedras felizes ao sol, e projetos e cantigas

que alguém um dia cantará, Luis Mauricio. Procura deslindar o canto.
Ou antes, não procures. Ele se oferecerá sob forma de pranto

ou de riso.E te acompanhará, Luis Mauricio. E as palavras serão servas
de estranha majestade. É tudo estranho. Medita por, exemplo, as ervas,

enquanto és pequeno e teu instinto, solerte, festivamente se aventura
até o âmago das coisas. A que veio, que pode, quanto dura

essa discreta forma verde, entre formas? E imagina ser pensado,
pela erva que pensas. Imagina um elo, uma afeição surda, um passado

articulando os bichos e suas visões, o mundo e seus problemas;
imagina o rei com suas angústias, o pobre com seus diademas,

imagina uma ordem nova; ainda que uma nova desordem, não será bela?
Imagina tudo: o povo,com sua música; o passarinho, com sua donzela;

o namorado com seu espelho mágico; a namorada, com seu mistério;
a casa, com seu calor próprio; a despedida, com seu rosto sério;

o físico, o viajante, o afiador de facas, o italiano das sortes e seu realejo;
o poeta sempre meio complicado; o perfume nativo das coisas e seu arpejo;

o menino que é teu irmão, e sua estouvada ciência
de olhos líquidos e azuis, feita de maliciosa inocência,

que ora viaja enigmas extraordinários; por tua vez, a pesquisa
há de solicitar-te um dia, mensagem perturbadora na brisa.

É preciso criar de novo, Luis Mauricio. Reinventar nagôs e latinos,
E as mais severas inscrições, e quantos ensinamentos e os modelos mais finos,

de tal maneira a vida nos excede e temos de enfrentá-la com poderosos recursos.
Mas seja humilde tua valentia. Repara que há veludo nos ursos.

Inconformados e prisioneiros, em Palermo, eles procuram o outro lado,
E na sua faminta inquietação, algo se liberta da jaula e seu quadrado.

Detém-te. A grande flor do hipopótamo brota da água – nenúfar!
E dos dejetos do rinoceronte se alimentam os pássaros. E o açúcar

que dás na palma da mão à língua terna do cão adoça todos os animais.
Repara que autênticos, que fiéis a um estatuto sereno, e como são naturais.

É meio-dia, Luís Maurício, hora belíssima entre todas,
pois, unindo e separando os crepúsculos, à sua luz se consumam as bodas

do vivo com o que já viveu ou vai viver, e a seu puríssimo raio
entre repuxos, os “chicos” e as “palomas” confraternizam na “Plaza de Mayo".

Aqui me despeço e tenho por plenamente ensinado o teu ofício,
que de ti mesmo e em púrpura o aprendeste ao nascer, meu netinho Luis Mauricio.

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos pais

video

melhor pai do mundo!

sábado, 8 de agosto de 2009

A verdade sobre a gripe suína

aos paranóicos, eu imploro, assistam e parem de encher o saco de todo mundo... aos não paranóicos, favor repassar este vídeo

Galerinha de Campinas



a pergunta é: o que o ciro faz ali em baixo?
:)

sábado, 1 de agosto de 2009

Sutilmente

ooo videozinho 'largo' sô...



Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe...

Exagero

Exagero, aquilo que é demais, passa da conta. Exagero é vontade não dita, é silêncio que grita, é extrapolar o limite. É dizer que se gosta, e que se desgosta, e no segundo seguinte dizer que gosta de novo. Como no Arpoador não ver o mar... exagero é cantar sorrindo o que chora, ou chorando o que ri... o que ri, oras, ri, e ponto.

É ver o céu se abrir no estio e não se animar... Exagero é pergunta sem resposta, é resposta sem pergunta. É equação sem teorema. Escorregar na grama sem papelão. Exagera-se contando-se causos, exagera-se ao não contá-los. Exagero é soma do prefixo hexa com o sufixo gero, como em passageiro – o i é pura intriga da oposição. É como ver televisão, e não dormir.. exagero é deixar falar a alma, coisa para a qual ela não foi feita. Exagero é dizer o indizível, ou, por falta de fonemas, se esconder do que não se vê. Exagero é quando dá-se nove ou doze numa roda de truco, ou quando a carne é muita para o homem.

Te ver e não te querer, é improvável é impossível... exagero é, sem medo de definir precipitadamente, impossibilitar o improvável, afinal improvável está ainda na casa do contingentemente esperado. Exagerar é exasperar o que é calmo, e acalmar o quebrar da onda. É como não sentir calor em Cuiabá... exagero é correr do homem do saco numa esteira qualquer. É tomar água de coco e não pensar em usar o coco como bola de futebol. Exagerar é soltar pipa, sempre: homem não voa.

Exagero, o termo. Exageros bons, exageros ruins, exageros apenas. Exageros de retórica? Não me acusem, um retórico é coerente, eu não o sou. Exagero em te dizer como me sinto. Exagero em não saber contar. Medindo o exagero do silêncio: exagerado; mas o que, afinal, não o é? Exagero eu, rindo à toa, bobo bobo. Exagerar é rir à toa, concluo. Ah, sorriso... felicidade.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Laerte





Está é genial!

domingo, 26 de julho de 2009

El fuca vermejo no mi atropellará jamás

huaihauihaiuhaa... passou no faustão, rachamo de rir! :D

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dr. Pepper


quarta-feira, 22 de julho de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

Il Divo

domingo, 19 de julho de 2009

Kyo

Uma cópia francófona de Garbage???

terça-feira, 14 de julho de 2009

Lukas

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Arquitetas

do blog do rigon, o resultado de se colocar cimento num formigueiro e desenterrar para ver... velho, as formiguinhas dominam o mundo! :D

domingo, 12 de julho de 2009

é como ver o céu se abrir no estio, e não se animar... tralalalá

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Valsinha

fico com a voz do chico buarque... mas a música continua única.


Tom e Chico

Essas gravações antigas tinham uma certa espontaneidade que hj não se encontra... talvez fosse só algo armado para o público da época.... mas me agrada...


terça-feira, 23 de junho de 2009

O pandinha

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Os olhos da filosofia

"Mas não nos desgarramos, com a questão da essência, no vazio universal abstrato que corta o fôlego a qualquer pensamento? Não manifesta a excentricidade de tal interrogação que a filosofia não tem apoio na realidade? Um pensamento radical voltado para o real deve aspirar, primeiramente e sem rodeios, a instaurar a verdade real que hoje nos oferece medida e segurança contra a confusão da opinião e do cálculo. Que importa, em nossa indigência concreta, a questão da essência da verdade que em sua abstração se afasta de toda a realidade? Não é a questão da essência o problema mais inessencial e mais gratuito que se possa colocar?

Ninguém irá subtrair-se ao evidente acerto destas objeções. Ninguém poderá desprezar levianamente a urgência e gravidade delas. Mas que se exprime nestas objeções? O simples 'bom senso'. Ele teima em sustentar as exigências do imediatamente útil e se revolta contra o saber que se refere à essência do ente, saber fundamental que, já há muito tempo, traz o nome de 'filosofia'.

O senso comum tem sua própria necessidade; ele defende seu direito usando a única arma de que dispõe. Esta é o apelo à 'evidência' de suas pretensões e críticas. A filosofia, por sua vez, jamais pode refutar o senso comum porque este não tem ouvidos para sua linguagem. Pelo contrário, ela nem deve ter a intenção de refutá-lo porque o senso comum não tem olhos para aquilo que a filosofia propõe para ser visto como essencial.

Além do mais, nós mesmos nos movimentamos no nível de compreensão do senso comum, na medida em que nos cremos em segurança no seio das diversas 'verdades' da experiência da vida, e da ação, da pesquisa, da criação e da fé. Nós mesmos participamos da revolta do 'evidente' contra tudo o que exige ser posto em questão."



Martin Heidegger, Sobre a essência da verdade


Ora, quem diria, filósofos? Sois humanos, tão humanos quanto aqueles do senso comum! - diria os que veem de certa maneira arrogância no que pensam demais. Eu responderia: quer algo mais humano do que filosofar?

Vá lá que não é tão prazerozo quanto afirmar a verdade que se tem aos olhos. Vá lá que é mais dificultoso do que firmar posição em algum dogma qualquer, nos deixar levar pela pulsão de evidência que está dentro de nós. Mas é humano, demasiado. Humano à flor da pele.

Assim como é humano fugir do questionar. Que tipo de humano escolher? Aí, já é pessoal demais.


domingo, 31 de maio de 2009

Campanha de sociabilização

Foi lançada nesta semana em Maringá a campanha "Viva bem: faça um amigo no trânsito!". Para quem quiser aderir, é muito simples: basta pegar seu carro, preferencialmente em horários de pico, o que se traduz das sete e meia da matina às seis e meia da tarde, e se dirigir ao centro da cidade, levando alguns dos seguintes itens:

- churrasqueira elétrica;
- guarda-sol (o câncer de pele tá aí gente!)
- caixinha de isopor com cerveja, água e refrigerante (afinal, mesmo que vc n beba, o lance é sociabilizar, certo?)
- cd's de pagode e sertanejo (vc pode ser eleito o dj, ein? não decepcione!)
- muito bom humor e um coração aberto!

A dinâmica é a seguinte. Vc pega, por exemplo, a são paulo, tentando chegar ao parque do ingá. Obviamente, vc estará sozinho em seu carro, ocupando em um o lugar de cinco pessoas, pq aqui a gente ostenta mesmo, fraga?! E se for uma supercamionete cabine tripla com x-turbo e tração super hiper fodônica, melhor ainda: onde caberiam sete ou oito no transporte coletivo, vc estará lá, todo todo. Pq Maringá é a Dallas brasileira, e nós não queremos perder o título, não é mesmo?

Bom, na são paulo, vc para o carro. Isso mesmo, para, desliga, roda a chave, esquece que tem motor, prepara a banguela, bota pra esfriar a joça... Porque com o motor ligado ou não, vc não conseguirá andar, é fato. Preferencialmente, nas famosas caixas amarelas, porque hj somente 50% dos motoristas acabam travando as ditas cujas: situação que, juntos, com nosso espírito coletivo, podemos mudar. Yellow box travada por todos, eis nosso lema rapaziada. Juntos conseguiremos.

Carros devidamente parados (pensem na economia de combustível e no favor ao meio ambiente), é hora da campanha tomar corpo. Pra ser direto: sociabilize com o teu vizinho de avenida! Comece com um oi, uma chamada sobre o tempo, e procure ir evoluindo no sentido de conhecer o outro, somos todos humanos, afinal (problemas amorosos e financeiros, todos temos). Logo logo, vc verá, o jeitinho brasileiro tomará conta, e vc conseguira fazer uso dos itens que sugerimos. Já imaginou, ein? Churrasquinho em plena segunda feira na são paulo com a brasil? Cervejinha gelada, sem estresse de trabalho, conversando sobre futebol? Genteeee, Maringá é arborizada, para que servem os canteiros gigantes das avenidas?

Nós, da campanha "Viva bem: faça um amigo no trânsito" pedimos para que todos usem da criatividade (si si, aquela mesma usada para dar nome em república universitária, salão de beleza fashion, palpite sobre sem terras (aqueles malditos né), sobre a política que nunca presta mas se der eu aproveito, etc.). Vamos revolucionar o trânsito maringaense, e fazer de nossa linda cidade um lugar bom para se viver (tenho vontade de dar um abraço em cada um de vcs agora, sabe?). Vamos fazer amigos, gente! E não esqueçamos dos nossos irmãos do transporte coletivo: todos devemos incentivar que eles desçam e confraternizem com o grupo, maringaenses são todos iguais (quase franceses).

E afinal, pagar dois reais para andar no sucatão apertado não é também sinal de grande valia para a nossa maravilhosa idéia de sociedade ideal? Imagina se o transporte coletivo fosse bom, como sociabilizar de "pertinho"?

Enfim, contamos com a participação de todos! E lembrem-se:

- nunca ofereça carona ou cogite transportes alternativos;
- use sempre o maior carro da família (maringaense do bom tem pelo menos dois em casa);
- leve sempre carnes aprazíveis ao gosto da maioria;
- cerveja boa é brahma, e tem que ser de agudos;

Abraço a todos!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Vídeo altamente excuso

Cara, só to postando este vídeo pq o Dr House tem como toque de celular... não que eu, pessoalmente, goste... em absoluto!

haiuhaiuhaiuahiuah



Você tem tantas relações nessa vida
Só uma ou duas vão durar
Você está passando por toda essa dor e este sofrimento
Então, você dá as costas e eles se vão tão rápido
Portanto fique com aqueles que realmente se importam
No final, eles serão os únicos que estarão lá
Quando você ficar velho e começar a perder o seu cabelo
Pode me dizer ainda quem vai se importar?
Pode me dizer ainda quem vai se importar?
Hum bop, ba duba dop
Ba du bop Ba du bop
Ba du bop Ba du bop
Ba du
Hum bop, ba duba dop
Ba du bop Ba du bop
Ba du bop Ba du bop
Ba du
Num hum bop, eles se vão
Plante uma semente, plante um flor, plante uma rosa
Você pode plantar qualquer uma delas
Continue plantando pra descobrir qual vai crescer
É um segredo que ninguém conhece
É um segredo que ninguém conhece

Num hum bop eles se vão
Num hum bop eles não estão mais lá
Num hum bop, eles se vão
Num hum bop, eles não estão mais lá
Até você perder o cabelo, Mas você não se importa

Pode me dizer? Você diz que sim, mas não sabe
Pode me dizer qual flor irá crescer?
Pode me dizer se vai ser uma margarida ou uma rosa?
Pode me dizer que flor irá crescer?
Pode me dizer? Você diz que sim, mas não sabe.

domingo, 24 de maio de 2009

Stand by me

Como quis nossa cara mãe para a formatura... bom, a música é bonita, o clipe tb. :)




Fique Comigo*

Quando a noite tiver chegado
E a terra estiver escura,
E a lua for a única luz que veremos,
Não, eu não terei medo
Não, eu não terei medo
Desde que você fique
Fique comigo

Refrão:
Então querida, querida,
Fique comigo
Oh, fique comigo,
Oh, fique
Fique comigo,
Fique comigo...

Se o céu que vemos lá em cima
Desabar e cair
Ou as montanhas desmoronarem no mar
Eu não chorarei, eu não chorarei
Não, eu não derramarei uma lágrima,
Desde que você fique
Fique comigo

Quando você estiver com problemas, você não contará comigo?
Oh, conte comigo
Oh, você não ficará agora?
Conte comigo

Compositor(es): Ben E. King/Jerry Leiber/Mike Stoller

domingo, 19 de abril de 2009

Sonhos

Há coisas na vida que não mudam. Eu gostar de alguém que não está perto é uma delas. Afinal, que raios de pessoa é aquela que não pode deixar de lado o passado e tocar o futuro? Mas não há respostas simples, ao menos no meu caso. Tentarei explicar porque.

Eu sei que amadureci emocionalmente nestes últimos tempos, e sei também que não foi suficiente. Quando afirmo isso, parto da premissa de que sofrer é algo que podemos controlar, ou ao menos lidar de uma maneira saudável. É isso que mães e familiares esperam da gente, sempre. Não entrar de cabeça numa relação, aceitando esta premissa, é um bom início, pois gera uma sensação de controle sobre o que sentimos, e sobre eventuais dores. É isso que eventualmente as pessoas a nossa volta tentam nos lembrar, geralmente aquelas que se importam conosco. E, nem tão eventualmente assim, eu não ligo muito para o que falam, e este é o motivo que me leva a escrever.

Se pretendesse contar uma anedota, usaria as prováveis palavras do Rudah: “você contraria por natureza”. Ele teria, de alguma forma, razão. Mas acho que não é só isso. A vida não pode ser uma simples resignação para com aquilo que nos contraria. Ou nós não poderíamos nos agüentar no mundo, e nossos olhos estariam sempre cheios de um brilho opaco. Digo isso não por ser idealista; digo isso porque já vivi assim, e sei que não é este o papel que devo cumprir.

Se por um lado é mais fácil nos resignarmos com a perda daquilo que porventura acreditamos do que lutar contra a maré, seja lá do tamanho que for o fardo, por outro nada é mais difícil do que lidar com o abandono de nossos sonhos. Viver arrumando desculpas alheias à nossa capacidade de ação (e reação) para justificar-nos daquilo que desistimos é ilusão, se não levamos ao limite nosso fazer no mundo. É claro que eu quero que não haja fome no mundo, que o Palmeiras seja sempre campeão, e, em grau especialíssimo, que eu seja feliz, assim como as pessoas que amo. Mas há coisas que eu não posso simplesmente mudar, e isto é o bom senso que as pessoas que nos cercam tentam sempre nos apontar.

Não alimentaria a África inteira nem que fosse Deus, pois se possível fosse acho que ele já teria feito, correndo o risco de ser enquadrado como um ser bom (é, eu não entendo e não pretendo entender o Deus de barba branca que se vende... para mim, ele não existe). Tampouco me considero abençoado para ser treinador de futebol, e acho que o Palmeiras agradece por isso. No entanto, para ficar nos exemplos acima, ser feliz é uma coisa que me cabe (inclusive é por isto que tenho problemas com a igreja), e é por isto que ajo e desajo, choro, grito, calo. A característica mais marcante da humanidade: sua busca pela felicidade, seja ela chamada plenitude, deus, alegria, ilusão, sonho, etc. E daí temos aquela velha máxima: resigne-se com aquilo que não pode mudar, e mude com todas as forças aquilo para o que tuas forças existem. Bom, o problema é saber diferenciar, né?

Como saber se não podemos agir de fato ou se arranjamos desculpas? Como saber (e esta é particularmente importante) em que hora as espadas devem ser jogadas ao solo? Até que ponto, seu Marco Aurélio, o senhor tem que ser teimoso, é a pergunta no fim das contas. Traduzindo: até quando eu devo me apegar às coisas passadas? Quer algo mais específico que isto? Pois vá lá: até que ponto eu devo me lembrar de alguém que achei ser a pessoa certa para mim (e como foi!) se ela simplesmente decidiu que não é, e ponto.

Racionalmente tenho as respostas. Este parece um caso emblemático daquilo que não posso mudar, inclusive porque já feri por demais meu orgulho, e não só ele. Me feri demais ao carregar um fardo com o qual não podia (inseguro como uma criança), simplesmente por acreditar. Que não podia, eu sabia. Que me fez mal, soube desde o primeiro traço de insegurança dela. Que não era para ser? Ah, isso não. Seria abusar demais do determinismo, e este não é um dos meus ídolos. Se não foi, foi porque decidiu-se assim, e ponto. Por n ou m motivos, se eu estava preparado ou não, a responsabilidade é nossa por aquilo que vivemos, inclusive sobre as desculpas que arrumamos.

Chegamos que a decisão é esta, e eu não posso fazer nada mais, e se, para isso, precisou-se passar por tudo que passamos, fazer o que, é a vida. Inclusive porque não considero que fui o único a sofrer – mas somente sobre o que sinto é que posso escrever algo. E outra coisa: como afirmar que amo alguém se não posso respeitar uma decisão desta pessoa, por mais que doa? Tentei convencê-la de todo jeito, com tudo aquilo que tinha às mãos – quiçá mais uns anos esse tudo aumente e seja suficiente para alguém. Não deu, não deu e ponto. Além do mais, levo comigo experiências boas, e provavelmente estou mais maduro. Frio, lógico, razoável. Sensato, afinal.

Bom, mas o lance não é só racional. E este será o menor parágrafo escrito até aqui (acabei-o, e acabou que ele não foi): não sinto falta dela por depender de sua ilustre presença, passei desta fase. Sinto falta porque em cada coisa boa que eu faço eu gostaria que ela estivesse comigo, e toda vez que me sinto bem gostaria de partilhar com ela. Ela fez aflorar o melhor em mim, e com ela me senti completo. E completo por saber que não dependo dela para isso – é a parte do mais maduro. Toco minha vida, continuo tendo meus sonhos, e, com o devido tempo, ela tende a ir ficando na memória como um sonho bom, que decidiu ocupar minha memória ao invés se fazer presença. E presença é algo que tanto meu racional quanto meu emocional prezam, não há motivo de discordância quanto a isto. Ausência é isso: esquecimento com prazo de validade indefinido.

Por que eu sou teimoso? Por que não ouço muitas vezes o que vozes bem intencionadas me dizem? Por que me firo, e escolho seguir machucado quando todos me dizem que não é mais necessário seguir, que eu já fiz o suficiente? Por que eu reluto tanto em resignar-me e continuo lutando, tentando mudar o mundo pelas minhas mãos, quando somente minhas mãos não são suficientes? Por que exponho todas as minhas fraquezas sem vergonha alguma por um ideal?

Só uma resposta possível: num sonho, a gente acredita, e briga, e cai, e continua acreditando. Melhor a dor do tombo do que aquela do medo. Quanto mais eu caio, mais eu tenho certeza de pra onde ir.

terça-feira, 14 de abril de 2009



que o esforço pra lembrar, é vontade de esquecer... :P

Humano, demasiado...

domingo, 12 de abril de 2009

Mãe, to indo pra aula!

A cinco anos, era março ou fevereiro, o primeiro dia. Mãe, to indo pra aula. Lembrei-me dos tempos do fundamental, férias boas são aquelas que acabam num reencontro. Eu não teria o Neri, o Thiago Baptista, o Fernando, o Giovani, o Ricardo, o André, o Alex... E aquela mocinha da 6ª D ou E, já não seria ela a chamar-me a atenção. O pátio iluminado do Vital Brasil, a fila para cantar o hino, as aulas da professora Dora ou do Arthur. A Cássia já não estaria ali, assim como a Michele, Mônica ou Valbiana – a primeira cartinha de amor que eu recebera na vida, aos doze anos (da qual, educadamente, desvincilhei-me). Não haveria mais treino de basquete, uniforme suado e ônibus no fim do dia, praticamente uma confraternização estudantil.

E o médio? Provavelmente, o confronto entre primeiro e segundo ano no intervalo pelo título de melhor time de basquete não se repetiria – para encarar o segundo ano juntamos os melhores de oito primeiros! Faltaria jogadores nessa nova fase. Ir para Uem depois da aula para tentar jogar com os caras “grandes”? Nem, a aula já seria, agora, na Uem, mas não haveria basquete. E eu faria parte desses caras. O Maicon fora para o Japão, o Rodrigo formou-se em informática, o Abidu na engenharia, o Carlinho virara Carlão (e a mesma tática de parar, fintar, chutar inclinando o corpo, errar... se bem que ele melhorou bastante). A quadra um do gastão, como constatei a pouco no estágio, fora substituída pela 2, o futsal tomou conta. Marias chuteiras subsitituiram as basqueteiras – sim, basquete dava, digamos, um certo status...

A cinco anos, num março ou fevereiro, no entanto, a mesma sensação de começo de ano tomou conta. Corredor cheio, gente nova tentando se conhecer, empolgação de criança. Escolha de lugares, garotos tentando ser homens (estamos na faculdade!), meninas, para variar, tentando ser mais que as outras. Será que a dinâmica da sonhada faculdade seria um “fundementalzão”? Pô, ali eu queria ser sério, ter pose de intelectual e finalmente mudar o mundo! Tá, dezoito anos é meio cedo e tals, mas me dissesse isso ali pra ver. Antes tivesse sido o fundamentalzão, concluo eu agora.

Bom, cinco anos, que poderiam ter sido quatro. Mas eu não estava pronto, simplesmente. Como podemos mudar e mudar, e quando achamos que já está tudo diferente, continuar mudando? Foi assim que aconteceu comigo. Eu mudei, não tanto quanto gostaria em algumas coisas, mais do que esperava em outras. Da promessa de aluno brilhante, tornei-me mediano. Por não aceitar ser mediano, cheguei à mediocridade. Quando aceitei ser mediano (e como isso demorou), comecei a voltar a ser o que sempre fui – alguém com potencial. Não pude lidar com um centro acadêmico, um trabalho e uma faculdade ao mesmo tempo – mea culpa, ninguém obrigou-me, né? Mas acaso não foi assim que aprendi a ser mortal? Meus pés tocaram o chão. Sim, mediano, assalariado, imaturo e em formação: rala, seu moço, que a vida passa sem licença minha ou tua. Para gênio do curso, me faltaram condições, externas e internas. Aprendi a lidar com isso, enfim. Forçar o que não somos é bobeira. Compensa trabalhar duro e deixar que aflore o que tiver que aflorar. Me dissessem isso a cinco anos...

Ou não! Me dissessem isso a cinco anos, eu nem ligaria. Precisei cair para achar o caminho. Temer Kant é o primeiro passo para adentrá-lo. Saber dos próprios limites é condição para superá-los. Sim, sim, essas frases são clichês, mas no final, verdadeiras. Entenda-se: o texto não tende para um final apoteótico, onde eu finalmente sou o rei do mundo e salvador da raça humana. Não sou hoje alguém que é o exemplo da virtude, protetor das criancinhas, membro do greenpeace, diretor de dce. Não participo da juventude do partido comunista e me abstive da castidade. Mas acho, que no fim das contas, sou uma pessoa melhor.

Agora a faculdade se foi, especializações a vista, dúvidas e sentimentos novos. Os amigos que foram feitos, ficam, como sempre ficaram os outros, o Neri, o Baptista, o Fernando... meu, quanta gente que passou! Quanta gente pra contar minha história, e para que eu conte sobre eles. Amizade é uma delicadeza gostosa de cultivar. A gente não precisa ser perfeito para isso, é só vivenciar o mundo, ser anônimo da grande massa, ter consigo mesmo uma relação íntima; e então criar laços.

De tudo, acho que tenho mais uma foto para mostrar aos filhos que terei, e aos filhos de meus filhos. Agora, é procurar a próxima paisagem, e continuar esta história. Ser humano, não me canso disso!



“não te dizer o que penso já é pensar em dizer”



Bom, dado o trato espontâneo do exposto abaixo, resolvi manter no texto. Quem é a dona de tamanha expressão de amor? Alguém que mexe no pc dos outros sem autorização! Hauiahiuahiauhiuahaiuha Melhor do que eu? tá que a nova geração nasce para superar a anterior, mas aí já é demais.... haiuhaiuhauiahiah



MARCO BOLA GRANDE BOLA QUE ROLA E ROLA E ROLA E ROLA E ROLA E ROLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

BJUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

DA SUA LINDA IRMÃ.

HISTÓRIA EMOCINANETE SNIF SNIF...BUÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ

MEU IRMÃO PARECE O CHICO BENTO..OU MELHOR O CEBOLINHA COM AKELE CABELO ARREPIADO..QRENDO NAMORAR A MÔNICA rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

BOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA JÁ FORMADO AGORA É BOLA DE VEZ..BOLA QUE FAZ FILOSOFIA..BOLA QUE PENSA..

PARABÉNS...MAS TENHO QUE ADMITIR EU SOU MELHOR..DO QUE VC BOLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Calvin

domingo, 5 de abril de 2009

...

é, no fim das contas, amar se aprende amando. e, como sempre, pra ficar com máximas que me canso de usar, compreensão é a chave.

presença, compreensão. enquanto não chegam, toquemos a vida. faz parte :D

sábado, 4 de abril de 2009

Amar, somente amando

Lava, alma minha, lava...

lave com água pura, cachoeira de cristal.

Lava com força!, lave tudo,

mas lave serena como tarde de primavera,

como cipó embrenhado em algum mundo no qual crescer.

Lave, alma minha,

com água límpida de nascente,

e leve consigo qualquer traço de dor,

leve logo o que me foi arrancado, deixe apenas o que se pode deixar.

Lava, alma minha,

me lave inteiro, me lave de acordo, me lave desfeito...

me lave como as antigas negras na pedra do rio.

A água escorre por minha testa,

tomando logo a face toda: Isso!

Enxurrada, dou-me todo.

Lava, alma, lava:

eu ficarei quietinho, prometo.

prometo. prometo. prometo.

Me lave como a mãe lava o filho pequeno, sorrirei ao mundo pra fingir ser criança.

a vida flui, e a flor mais bela é aquela ao alcance das mãos:

é somente esta que se pode cultivar.

minhas mãos tocam a terra úmida, sinto o corpo limpo.

Só se pode amar... amando.

Dia bom



Foi um dia bom, nada mais do que isso precisaria ser dito. Esta foto, com cada rosto que em pouco tempo se fez presente em meu convívio, é especial.

É bom, de vez em quando, se sentir um grãozinho de areia. Ninguém maior que ninguém, todos trabalhando pelo mesmo algo... e por algo que, puts, como a gente gosta!

Foi um dia bom. Desses que a gente deveria viver sempre. Acho que, neste caso, só isso basta. É algo que eu não preciso explicar para todos. Aos bons entendedores, hoje me resumo a vocês.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ad infinitum

Por quê?

Por que vivemos tanto fora do tempo,

E perdemos a parte da eternidade que nos cabe?

Por que essa ânsia por mudar o mundo todo,

Se não mudamos a parte do mundo que nos cabe mudar?

Por que o coração precisa explodir em direções arbitrárias à nossa vontade?


Então ela se fez bonita...

Ao seu lado

Num pouco silêncio que tinha entre seus corações.

Para o vento

Calar-lhe a voz,
suprimir-lhe a dor,
atingir sua alma.
E pra quê?
Impiedosa vontade,
que não mede,
não pisa,
não põe:
só tira.
E por que me pergunta?

Porque quero te faço,
te fazendo renasço,
e nascido me penso.

Por que mais por quês?

Me penso e renasço,
ao renascer te refaço
guria e extenso.
(insistes ainda?)

Se afago tua face,
não me peças razão,
é por pura vontade.
E por pura vontade,
não te darei razão.
Se é prazer mau desfeito,
se é temor ou despeito,
que me diga a saudade.


cara, como escrever algo tão bom para alguém que no máximo é conhecido? como sempre, o que fica são os textos... dos amores platônicos a gente dá é risada.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Maria do vestido azul

Felicidade é sorrir

E partir corações

Linchar sentimentos

Inunda-los de substância orgânica

Caso a caso - destino

Imperdoável o calor de tuas vestes

Destoando perdida às traças

Aplaudida

Destemida

Empobrecida Maria das rosas do vestido azul


aí, meu caro rudah... o único poema elogiado! esse vem novamente à público pq... um... pq... pq eu quero, oxente! hehe

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Infinita




Na boca em vez de um beijo
Um chiclete de menta
E a sombra do sorriso
Que eu deixei...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Momento Lukas




hehe

Nosso momento chega no vento

Fazia tempo que não me dava na telha escrever algo sobre ação política. Hoje, por qual cargas d’água que seja, deu. Mas agora ouço autoramas e todo o caráter inflamado foi-se para... hum... para os confins das terras das harmonias e balas de caramelo. Então outra hora eu escrevo. Ou não.

Se vale como introdução, eu havia me esquecido de como nosso momento é este. De como o mundo vai passando e a gente parado observando, quando há quase que uma licença poética tramando para a ação. Como a gente consegue deixar o mundo passar por nos esconder em cotidianos medianos, problemas medianos, vidas medianas. Bicho, é a nossa hora!

É a nossa hora para fazer loucuras de amor. É a nossa hora de tocar numa serenata e escrever poemas. É a nossa hora de bancarmos os bobos e pintarmos as caras. É a nossa hora para enchermos a cara, falar de política e filosofia, mulheres e situações. Passou da hora de termos o controle do mundo em nossas mãos, para que brinquemos com ele. Passou da hora em pichar muros contra coronelismos modernos, lançar notas incestuosas sobre paternalismos políticos, xingar os malditos eleitores do collor, comemorar a morte do acm, tramarmos a morte do chávez e planejar atentados contra câmaras de vereadores ridículas por tanta corrupção.

É a nossa hora de tomarmos os palanques e dizermos não. Dizermos não ao sistema que se perpetua em carne podre. Dizermos não à mídia que investiga mais ou menos conforme seus anúncios, este ou aquele, situação ou oposição. Dizermos não aos bons e ingênuos homens do povo que votam em bondades temporárias, como se suposta bondade e ingenuidade condicionada pelo nascimento implicasse em burrice, termo menos chulo que encontro. Dizermos não ao senso comum de que o caminho certo é o mais fácil, de que a vida é ruim assim mesmo e que 20 minutos de orkut numa lan house resolvem todos os problemas do bairro.

Chegou a hora de nos livramos desta carapuça que nos colocam os mais fracos, que por medo se lhes auto impuseram e que perpetuam no jeitinho brasileiro de ser. Porque jeitinho brasileiro é ser tosco, ser imbecil, ser acomodado. É coisa de gente sem estirpe que se afirma da única maneira que lhe cabe: fazendo o discurso do não. Não dá, não pode, não faça, não grite, não reclame, não pergunte, não escreva. Não incomode o poder, não incomode a mim, o mandado. Não me faça pensar nisto ou naquilo, seu comunistinha... tenho filhos pra criar, casa pra cuidar e televisão pra assistir; porque eu sou alguém que se preocupa somente com o que é meu, e coletividade é coisa de retardado sem ter o que fazer.

Ok, chegou a hora de dizer não. Não somos comunistinhas, tampouco neo liberaizinhos ou coisas do gênero. Este tipo de generalização é pra movimento estudantil universitário movido a maconha e pessoas preocupadas em conhecer algum líder revolucionário via cogumelos de pasto – algo místico, se é que me faço claro. Somos filhos de um país sem ditadura e sem inflação, fora do maniqueísmo aristocracia e proletariado; somos monstrinhos de assimilar informações de todos os tipos, a qualquer hora e em qualquer meio. E é isto que nos faz diferentes. Nós observamos tudo, temos acesso a um mundo infinitamente maior de coisas que nossos antepassados.

O problema é que nossa posição privilegiada não nos conduz á ação. Nós sabemos que o sistema político brasileiro é uma tranqueira, mas nem por isso saímos às ruas. Nós sabemos que verdades absolutas que insistem em nos vender são idiotas, mas não nos manifestamos contra. Nós vamos onde a modinha vai, e saímos de onde chegamos num piscar de olhos suficiente pra nos enfadar, porque modinha continua sendo modinha. Nós ouvimos as músicas que nos impõem, comemos o que nos dão, nos divertimos com emoções rasas, sempre compráveis. Vivemos, assim, num simulacro de vida, esperando o tal do carnaval que não chega.

Bom, já estamos na casa dos vinte e poucos, e o mundo espera um comando novo. Até quando vamos nos negar a tomar conta do patrimônio que é nosso por direito? Não quero ter que pensar sobre isso aos quarenta... não pretendo ser na velhice um melancólico, que deixou que os outros fizessem o mundo em que vive e que por isso corrompe-se dia a dia insatisfeito com sua vida. Este momento é nosso.

Autoramas



a menina parece alguém que eu conheço... cantando então... :D

domingo, 22 de março de 2009

Confronto sangrento



pq a gente treina pra poder usar os macarrões! :D

sábado, 21 de março de 2009


Os intermediários do Kendo... aula massa... se eu fosse uma pessoa que zoa, alertaria para a cara do Rudah ao fundo: "cara, esse mano vai me passar logo logo..."

hehe

quinta-feira, 19 de março de 2009

João Gilberto

Quando um cantor se serve do violão para se acompanhar - um seresteiro como Sílvio Caldas, por exemplo -, ele tem no instrumento um complemento para sua voz, um guia para não se perder na afinação e na linha melódica. O instrumento é mais importante para ele do que para a maioria da platéia. Para a platéia, o violão está em segundo plano.

Em João Gilberto, o violão é metade de um conjunto sonoro completado pela voz, formando um bloco, uma entidade unívoca de voz e violão, e não de voz com violão. É portanto um outro conceito, representado por dois timbres diferentes, o da voz humana e o das cordas do violão, formando um terceiro timbre, que, por sua vez, exige uma capacidade de atenção absoluta.

Essa entidade sonora volátil e magistralmente bem proporcionada é o universo de João Gilberto, é como ele vê uma canção, como concebe uma interpretação, é a forma de uma música existir em sua obra. Sua capacidade de sublimar canções lhe dá condições de um corriqueiro "Parabéns a Você" ou uma simplória "Oh, Minas Gerais" soarem como algo novo, nunca ouvido antes, sem ferir o espírito do original.

Se ouvir um disco de João requer, pelos motivos acima, atenção redobrada, além de um preparativo cercado de silêncio, seus espetáculos são verdadeiras aulas de música brasileira, de uma nobre brasilidade -a começar pelo gosto com que canta a palavra "Brasil". Ao vivo, seu repertório se distribui em dois grupos. O primeiro é o dos clássicos, canções que ele lançou e que valem pela riqueza renovada de informações musicais a cada interpretação, numa recriação da recriação, que não tem limite. É o caso de "Desafinado", a música que mais gravou, e sempre uma novidade que se aguarda ansioso, para ver como será desta vez. O outro grupo é o das pedras preciosas que João retira de sua arca, deixando as pessoas se entreolhando sem saber de onde surgiu aquela canção. Em geral são velhos sambas ou marchas dos conjuntos vocais, inteiramente recompostos na sonoridade voz-e-violão de João Gilberto, as assim chamadas interpretações joãogilbertianas.

Na sua apresentação no programa O Fino da Bossa, da TV Record, em 1966, João cantou apenas três músicas, mas deu uma de suas preciosas aulas de música popular brasileira. A primeira foi "Eu Sambo Mesmo", de Janet Almeida, lançada pelo conjunto Anjos do Inferno em 1946 e só gravada por ele muitos anos depois, em 1991. As outras duas ainda não foram gravadas por João: "Exaltação à Mangueira", conhecido samba cantado em 1956 por Jamelão, e "Pica-pau", uma marchinha de Ari Barroso gravada pelos Quatro Ases e Um Curinga para o Carnaval de 1942.

No ano 2000, ele incluiu em seus espetáculos o samba de Herivelto Martins "Às Três da Manhã", que disse ter aprendido com Araci de Almeida, a primeira a gravá-lo, em 1946, tendo sido regravado muito mais tarde por Moraes Moreira, em 1977. João tem um arsenal de canções brasileiras, muito além do que se imagina para seus espetáculos, fazendo essa historiográfica conexão com canções do passado que estariam praticamente perdidas no tempo. Sua ligação com os conjuntos vocais dos anos 40 é uma das fontes para pinçadas como essas, que intrigam a platéia e provocam a crítica.

Ouvir depois de João as versões originais é uma surpreendente experiência, pois fica mais clara a carga de informação acrescentada. Ele decompõe a canção pedaço por pedaço, frase por frase, acorde por acorde, e a reconstrói como um artesão, sob a forma unívoca de um som de voz e violão, acrescida do caráter de um esteta.

É esse esteta que se ouve nos espetáculos e discos que João Gilberto realizou depois que voltou a residir no Brasil. Convidou Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania para os dois primeiros discos brasileiros (1980 e 1981), instigando-os a cantar como ele, de modo independente do estilo de cada um. Como por encanto, foi o que aconteceu com cada um, surpreendentemente até com Maria Bethania, na gravação do LP Brasil: "Eu gravei com ele sem fone, sem nada, conversando, cantando nós quatro (João, Caetano, Gil e eu), só com o violão dele, cantando, cantando, uma coisa louca []. Então João me botou pra cantar assim. Quando me ouvi, eu disse: que é isso? Eu tomei um susto, porque é outra coisa. Não tem uma lembrança da cantora que eu sou. Da cantora que todo mundo conhece dos meus discos. Não tem nada a ver. Fui apresentada a mim de novo" (depoimento de Maria Bethania para o press-release de lançamento do disco Brasil, da WEA).

Em alguns dos espetáculos programados no Brasil, como no Canecão em 1979, João Gilberto enfrentou dificuldades com a sonorização, embora muitas vezes estivesse sozinho com seu violão, ou seja, com a simples combinação sonora de sua identidade musical. Esse é um dos aspectos que têm gerado as maiores controvérsias e acusações (chegando mesmo a processos judiciais) e sobretudo a fama das descabidas necessidades de João Gilberto. Embora esteja muito longe das exigências de algumas estrelas do show business, João é irredutível num ponto: a qualidade de sonorização tem de ser irrepreensível. Voz e violão precisam estar perfeitamente equilibrados, audíveis de qualquer ponto, com um retorno perfeito para sua própria performance; enfim, ele não aceita o quase perfeito. Seu apuro auditivo é de tal ordem que consegue detectar em instantes o que técnicos não perceberam, chegando a duvidar de suas colocações. Ao final, acabam admitindo que ele tem razão.

Sua notória preocupação com a sonorização em espetáculos não é com o volume do violão e da voz no ambiente. É com a clareza, a pureza, a definição e o equilíbrio entre sons agudos, médios e graves, com as freqüências harmônicas, como se os sons da voz e do violão pudessem ficar nitidamente próximos da platéia. Em suma, gostaria de chegar ao ouvido de cada um como se estivesse a centímetros de distância e não a vários metros. Parece utópico, mas a acústica registra inúmeros casos de vastos ambientes onde um ator ou cantor, mesmo falando relativamente baixo, consegue ser ouvido com nitidez a uma grande distância, como se estivesse ao lado do espectador. É uma das surpresas de que se gabam os guias turísticos nas visitas a certas arenas e teatros gregos do passado.

Quando a sonorização está perfeitamente ajustada, ele consegue manter a ilusão de que uma sala com 3 mil pessoas é tão pequena que o cantor parece estar à frente de cada um. Nessas condições, um espetáculo de João Gilberto é uma inesquecível experiência de integração entre o artista e a platéia, hipnotizada pela magia de seu som.


créditos: http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u431449.shtml

quinta-feira, 12 de março de 2009

Necessidade

Bom, escrever o quê? Geralmente não me coloco à obra sem a devida necessidade. O problema é que descobri que talvez minhas necessidades não sejam de fato relevantes para o andar do mundo, como se em desacordo com algumas regras que subjazem nossa estadia aqui. Então, hoje escreverei um texto sem vontade alguma. Não tenho necessidade de escrevê-lo, pelo contrário. Vamos ver em que dá.

Começo apontando a falta de um sentido maior para a vida. Não, não estou em depressão e não acho que ficarei em tal estado. O fato é que sempre temos coisas a fazer, metas para cumprir, sonhos por realizar, e nisto não percebemos quão depende de nós acreditar nestes sonhos, estabelecer estas metas, seguir o script. É quase que uma necessidade, ou se morre de tédio, e com ele a chatice, a ranhetice, a falta de sociabilidade, o ódio enrustido do mundo, as piadas sem graça e as amizades cinzentas. Tentando resumir (é, eu não to muito afim de continuar escrevendo), nosso fazer no mundo implica em como vemos tal mundo, e o não fazer num mundo insuportável (sim, subejtivo, mas foda-se).

Passemos para as memórias. Como elas incomodam, meu. E este incômodo nos condiciona a sempre buscar mais, para apagá-las, ou substituí-las. A construção do presente é mais interessante que o contínuo convívio com o passado, não nego. Mas, por extremista que sou, não poderia deixar de me opor pela falta de opções: ou você pensa constantemente, e trabalha constantemente, ou se ferra. Aqui, meus caros telespectadores, encontramos um exemplo dado de má vontade sobre como o tempo passa independentemente de nossa vontade. Me sinto meio José agora.

Bom, mas José ainda encontra a garrafa, vício que consome ardendo. Eu nem isso. Falta ardência, confesso. Só me consumo.

Tá, enjoei. O fato é que to formado, passei por fases e fases, tenho vinte e três anos, tenho 341 possibilidades pela frente, e tudo isso não é ruim, compreendam. Mas formado já é ato consumado, nada que mude daqui pra frente. A idade, esta é mera convenção que tem mais ou menos valor conforme as coisas que vou vivendo... e de qualquer forma, ano que vem terei 24, depois 25, e assim sucessivamente, nada que eu mude. Quanto às possibilidades, bom, é com elas que me preocupo hoje.

Tipo, dá pra não ter que pensar nelas e tirar umas férias no hawaí, onde finalmente eu aprenderia a surfar? Dar um rolê num trem da ALL e pegar um cargueiro para a França, vivendo ilegalmente e indo pra Bélgica tomar todas as cervejas possíveis do mundo? Quiçá entrar no programa aeroespacial russo e me oferecer de cobaia com a finalidade de atingir o espaço? Trabalhar numa mina de diamantes da África sob condições insalubres e testar de fato a não existência de Deus? Tornar-me pirata nas águas da velha Ásia oriental e roubar cargas de pouca monta e, ao fim da tarde, espairecer deitado no convés do Black Lagoon com uma cerva gelada?

Tipo, não dá. Esse é o problema. De todas as 341 possibilidades, uma ou duas filhas da puta são as corretas. E quando eu de fato segui-las, vou encontrar um prazer nelas. Vou ter metas a alcançar, algo a ocupar minha cabeça, e terei coisas que chamarei de sonhos. Vou ver meus dias indo e indo conforme eu trabalho para realizá-los, e não perderei tempo me perguntando se era isso mesmo que eu queria. Bicho, como eu me sinto condicionado. Talvez não seja de fato, e o simples fato de pensar sobre isso já me ajude em algo. E minhas contestações do que sou se façam mais fortes. E minha face mude mais uma vez, me tornando o mesmíssimo outro.

O que é certo, é certo. Seguir nosso código, no entanto, nem sempre é fácil. No final das contas, sou o que sou, querendo ou não. E o que é certo, é, desafortunadamente, certo. Como diria meu avô, e como ele seu pai, e o pai dele, respectivamente. E como eu digo hoje, mesmo não querendo. Faz parte.

terça-feira, 10 de março de 2009

Humor


Cartuns do Lukas... Curto desde piá...

domingo, 8 de março de 2009

Zenas Emprovisadas

sexta-feira, 6 de março de 2009

As mãos de meu filho

Erico Veríssimo


Todos aqueles homens e mulheres ali na platéia sombria parecem apagados habitantes dum submundo, criaturas sem voz nem movimento, prisioneiros de algum perverso sortilégio. Centenas de olhos estão fitos na zona luminosa do palco. A luz circular do refletor envolve o pianista e o piano, que neste instante formam um só corpo, um monstro todo feito de nervos sonoros.
Beethoven.

Há momentos em que o som do instrumento ganha uma qualidade profundamente humana. O artista está pálido à luz de cálcio. Parece um cadáver. Mas mesmo assim é uma fonte de vida, de melodias, de sugestões — a origem dum mundo misterioso e rico. Fora do círculo luminoso pesa um silêncio grave e parado.

Beethoven lamenta-se. É feio, surdo, e vive em conflito com os homens. A música parece escrever no ar estas palavras em doloroso desenho. Tua carta me lançou das mais altas regiões da felicidade ao mais profundo abismo da desolação e da dor. Não serei, pois, para ti e para os demais, senão um músico? Será então preciso que busque em mim mesmo o necessário ponto de apoio, porque fora de mim não encontro em quem me amparar. A amizade e os outros sentimentos dessa espécie não serviram senão para deixar malferido o meu coração. Pois que assim seja, então! Para ti, pobre Beethoven, não há felicidade no exterior; tudo terás que buscar dentro de ti mesmo. Tão-somente no mundo ideal é que poderás achar a alegria.

Adágio. O pianista sofre com Beethoven, o piano estremece, a luz mesma que os envolve parece participar daquela mágoa profunda.

Num dado momento as mãos do artista se imobilizam. Depois caem como duas asas cansadas. Mas de súbito, ágeis e fúteis, começam a brincar no teclado. Um scherzo. A vida é alegre. Vamos sair para o campo, dar a mão às raparigas em flor e dançar com elas ao sol... A melodia, no entanto, é uma superfície leve, que não consegue esconder o desespero que tumultua nas profundezas. Não obstante, o claro jogo continua. A música saltitante se esforça por ser despreocupada e ter alma leve. É uma dança pueril em cima duma sepultura. Mas de repente, as águas represadas rompem todas as barreiras, levam por diante a cortina vaporosa e ilusória, e num estrondo se espraiam numa melodia agitada de desespero. O pianista se transfigura. As suas mãos galopam agitadamente sobre o teclado como brancos cavalos selvagens. Os sons sobem no ar, enchem o teatro, e para cada uma daquelas pessoas do submundo eles têm uma significação especial, contam uma história diferente.

Quando o artista arranca o último acorde, as luzes se acendem. Por alguns rápidos segundos há como que um hiato, e dir-se-ia que os corações param de bater. Silêncio. Os sub-homens sobem à tona da vida. Desapareceu o mundo mágico e circular formado pela luz do refletor. O pianista está agora voltado para a platéia, sorrindo lividamente, como um ressuscitado. O fantasma de Beethoven foi exorcizado. Rompem os aplausos.

Dentro de alguns momentos torna a apagar-se a luz. Brota de novo o círculo mágico.


Suggestion Diabolique.


D. Margarida tira os sapatos que lhe apertam os pés, machucando os calos.

Não faz mal. Estou no camarote. Ninguém vê.

Mexe os dedos do pé com delícia. Agora sim, pode ouvir melhor o que ele está tocando, ele, o seu Gilberto. Parece um sonho... Um teatro deste tamanho. Centenas de pessoas finas, bem vestidas, perfumadas, os homens de preto, as mulheres com vestidos decotados — todos parados, mal respirando, dominados pelo seu filho, pelo Betinho!

D. Margarida olha com o rabo dos olhos para o marido. Ali está ele a seu lado, pequeno, encurvado, a calva a reluzir foscamente na sombra, a boca entreaberta, o ar pateta. Como fica ridículo nesse smoking! O pescoço descarnado, dançando dentro do colarinho alto e duro, lembra um palhaço de circo.

D. Margarida esquece o marido e torna a olhar para o filho. Admira-lhe as mãos, aquelas mãos brancas, esguias e ágeis. E como a música que o seu Gilberto toca é difícil demais para ela compreender, sua atenção borboleteia, pousa no teto do teatro, nos camarotes, na cabeça duma senhora lá embaixo (aquele diadema será de brilhantes legítimos?) e depois torna a deter-se no filho. E nos seus pensamentos as mãos compridas do rapaz diminuem, encolhem, e de novo Betinho é um bebê de quatro meses que acaba de fazer uma descoberta maravilhosa: as suas mãos... Deitado no berço, com os dedinhos meio murchos diante dos olhos parados, ele contempla aquela coisa misteriosa, solta gluglus de espanto, mexe os dedos dos pés, com os olhos sempre fitos nas mãos...

De novo D. Margarida volta ao triste passado. Lembra-se daquele horrível quarto que ocupavam no inverno de 1915. Foi naquele ano que o Inocêncio começou a beber. O frio foi a desculpa. Depois, o coitado estava desempregado... Tinha perdido o lugar na fábrica. Andava caminhando à toa o dia inteiro. Más companhias. "Ó Inocêncio, vamos tomar um traguinho?" Lá se iam, entravam no primeiro boteco. E vá cachaça! Ele voltava para casa fazendo um esforço desesperado para não cambalear. Mas mal abria a boca, a gente sentia logo o cheiro de caninha. "Com efeito, Inocêncio! Você andou bebendo outra vez!" Ah, mas ela não se abatia. Tratava o marido como se ele tivesse dez anos e não trinta. Metia-o na cama. Dava-lhe café bem forte sem açúcar, voltava apara a Singer, e ficava pedalando horas e horas. Os galos já estavam cantando quando ela ia deitar, com os rins doloridos, os olhos ardendo. Um dia...

De súbito os sons do piano morrem. A luz se acende. Aplausos. D. Margarida volta ao presente. Ao seu lado Inocêncio bate palmas, sempre de boca aberta, os olhos cheios de lágrimas, pescoço vermelho e pregueado, o ar humilde... Gilberto faz curvaturas para o público, sorri, alisa os cabelos. ("Que lindos cabelos tem o meu filho, queria que a senhora visse, comadre, crespinhos, vai ser um rapagão bonito.)

A escuridão torna a submergir a platéia. A luz fantástica envolve pianista e piano. Algumas notas saltam, como projéteis sonoros.
Navarra.

Embalada pela música (esta sim, a gente entende um pouco), D. Margarida volta ao passado.

Como foram longos e duros aqueles anos de luta! Inocêncio sempre no mau caminho. Gilberto crescendo. E ela pedalando, pedalando, cansando os olhos; a dor nas costas aumentando, Inocêncio arranjava empreguinhos de ordenado pequeno. Mas não tinha constância, não tomava interesse. O diabo do homem era mesmo preguiçoso. O que queria era andar na calaçaria, conversando pelos cafés, contando histórias, mentindo...

— Inocêncio, quando é que tu crias juízo?

O pior era que ela não sabia fazer cenas. Achava até graça naquele homenzinho encurvado, magro, desanimado, que tinha crescido sem jamais deixar de ser criança. No fundo o que ela tinha era pena do marido. Aceitava a sua sina. Trabalhava para sustentar a casa, pensando sempre no futuro de Gilberto. Era por isso que a Singer funcionava dia e noite. Graças a Deus nunca lhe faltava trabalho.
Um dia Inocêncio fez uma proposta:

— Escuta aqui, Margarida. Eu podia te ajudar nas costuras...

— Minha Nossa! Será que tu queres fazer casas ou pregar botões?

— Olha, mulher. (Como ele estava engraçado, com sua cara de fuinha, procurando falar a sério!) Eu podia cobrar as contas e fazer a tua escrita.

Ela desatou a rir. Mas a verdade é que Inocêncio passou a ser o seu cobrador. No primeiro mês a cobrança saiu direitinho. No segundo mês o homem relaxou... No terceiro, bebeu o dinheiro da única conta que conseguira cobrar.

Mas D. Margarida esquece o passado. Tão bonita a música que Gilberto está tocando agora... E como ele se entusiasma! O cabelo lhe cai sobre a testa, os ombros dançam, as mãos dançam... Quem diria que aquele moço ali, pianista famoso, que recebe os aplausos de toda esta gente, doutores, oficiais, capitalistas, políticos... o diabo! — é o mesmo menino da rua da Olaria que andava descalço brincando na água da sarjeta, correndo atrás da banda de música da Brigada Militar...

De novo a luz. As palmas. Gilberto levanta os olhos para o camarote da mãe e lhe faz um sinal breve com a mão, ao passo que seu sorriso se alarga, ganhando um brilho particular. D. Margarida sente-se sufocada de felicidade. Mexe alvoroçadamente com os dedos do pé, puro contentamento. Tem ímpetos de erguer-se no camarote e gritar para o povo: "Vejam, é o meu filho! O Gilberto. O Betinho! Fui eu que lhe dei de mamar! Fui eu que trabalhei na Singer para sustentar a casa, pagar o colégio para ele! Com estas mãos, minha gente. Vejam! Vejam!"

A luz se apaga. E Gilberto passa a contar em terna surdina as mágoas de Chopin.

No fundo do camarote Inocêncio medita. O filho sorriu para a mãe. Só para a mãe. Ele viu... Mas não tem direito de se queixar... O rapaz não lhe deve nada. Como pai ele nada fez. Quando o público aplaude Gilberto, sem saber está aplaudindo também Margarida. Cinqüenta por cento das palmas devem vir para ela. Cinqüenta ou sessenta? Talvez sessenta. Se não fosse ela, era possível que o rapaz não desse para nada. Foi o pulso de Margarida, a energia de Margarida, a fé de Margarida que fizeram dele um grande pianista.

Na sombra do camarote, Inocêncio sente que ele não pode, não deve participar daquela glória. Foi um mau marido. Um péssimo pai. Viveu na vagabundagem, enquanto a mulher se matava no trabalho. Ah! Mas como ele queria bem ao rapaz, como ele respeitava a mulher! Às vezes, quando voltava para casa, via o filho dormindo. Tinha um ar tão confiado, tão tranqüilo, tão puro, que lhe vinha vontade de chorar. Jurava que nunca mais tornaria a beber, prometia a si mesmo emendar-se. Mas qual! Lá vinha um outro dia e ele começava a sentir aquela sede danada, aquela espécie de cócegas na garganta. Ficava com a impressão de que se não tomasse um traguinho era capaz de estourar. E depois havia também os maus companheiros. O Maneca. O José Pinto. O Bebe-Fogo. Convidavam, insistiam... No fim de contas ele não era nenhum santo.

Inocêncio contempla o filho. Gilberto não puxou por ele. A cara do rapaz é bonita, franca, aberta. Puxou pela Margarida. Graças a Deus. Que belas coisas lhe reservará o futuro? Daqui para diante é só subir. A porta da fama é tão difícil, mas uma vez que a gente consegue abri-la... adeus! Amanhã decerto o rapaz vai aos Estados Unidos... É capaz até de ficar por lá... esquecer os pais. Não. Gilberto nunca esquecerá a mãe. O pai, sim... E é bem-feito. O pai nunca teve vergonha. Foi um patife. Um vadio. Um bêbedo.

Lágrimas brotam nos olhos de Inocêncio. Diabo de música triste! O Betinho devia escolher um repertório mais alegre.

No atarantamento da comoção, Inocêncio sente necessidade de dizer alguma coisa. Inclina o corpo para a frente e murmura:

— Margarida...

A mulher volta para ele uma cara séria, de testa enrugada.

— Chit!

Inocêncio recua para a sua sombra. Volta aos seus pensamentos amargos. E torna a chorar de vergonha, lembrando-se do dia em que, já mocinho Gilberto lhe disse aquilo. Ele quer esquecer aquelas palavras, quer afugenta-las, mas elas lhe soam na memória, queimando como fogo, fazendo suas faces e suas orelhas arderem.

Ele tinha chegado bêbedo em casa. Gilberto olhou-o bem nos olhos e disse sem nenhuma piedade:

— Tenho vergonha de ser filho dum bêbedo!

Aquilo lhe doeu. Foi como uma facada, dessas que não só cortam as carnes como também rasgam a alma. Desde esse dia ele nunca mais bebeu.

No saguão do teatro, terminado o concerto, Gilberto recebe cumprimentos dos admiradores. Algumas moças o contemplam deslumbradas. Um senhor gordo e alto, muito bem vestido, diz-lhe com voz profunda:

— Estou impressionado, impressionadíssimo. Sim senhor! Gilberto enlaça a cintura da mãe:

— Reparto com minha mãe os aplausos que eu recebi esta noite... Tudo que sou, devo a ela.

— Não diga isso, Betinho!

D. Margarida cora. Há no grupo um silêncio comovido. Depois rompe de novo a conversa. Novos admiradores chegam.

Inocêncio, de longe, olha as pessoas que cercam o filho e a mulher. Um sentimento aniquilador de inferioridade o esmaga, toma-lhe conta do corpo e do espírito, dando-lhe uma vergonha tão grande como a que sentiria se estivesse nu, completamente nu ali no saguão.

Afasta-se na direção da porta, num desejo de fuga. Sai. Olha a noite, as estrelas, as luzes da praça, a grande estátua, as árvores paradas... Sente uma enorme tristeza. A tristeza desalentada de não poder voltar ao passado... Voltar para se corrigir, para passar a vida a limpo, evitando todos os erros, todas as misérias...

O porteiro do teatro, um mulato de uniforme cáqui, caminha dum lado para outro, sob a marquise.

— Linda noite! — diz Inocêncio, procurando puxar conversa. O outro olha o céu e sacode a cabeça, concordando.

— Linda mesmo.

Pausa curta.

— Não vê que sou o pai do moço do concerto...

— Pai? Do pianista?

O porteiro pára, contempla Inocêncio com um ar incrédulo e diz:

— O menino tem os pulsos no lugar. É um bicharedo.

Inocêncio sorri. Sua sensação de inferioridade vai-se evaporando aos poucos.

— Pois imagine como são as coisas — diz ele. — Não sei se o senhor sabe que nós fomos muito pobres... Pois é. Fomos. Roemos um osso duro. A vida tem coisas engraçadas. Um dia... o Betinho tinha seis meses... umas mãozinhas assim deste tamanho... nós botamos ele na nossa cama. Minha mulher dum lado, eu do outro, ele no meio. Fazia um frio de rachar. Pois o senhor sabe o que aconteceu? Eu senti nas minhas costas as mãozinhas do menino e passei a noite impressionado, com medo de quebrar aqueles dedinhos, de esmagar aquelas carninhas. O senhor sabe, quando a gente está nesse dorme-não-dorme, fica o mesmo que tonto, não pensa direito. Eu podia me levantar e ir dormir no sofá. Mas não. Fiquei ali no duro, de olho mal e mal aberto, preocupado com o menino. Passei a noite inteira em claro, com a metade do corpo para fora da cama. Amanheci todo dolorido, cansado, com a cabeça pesada. Veja como são as coisas... Se eu tivesse esmagado as mãos do Betinho hoje ele não estava aí tocando essas músicas difíceis... Não podia ser o artista que é.

Cala-se. Sente agora que pode reclamar para si uma partícula da glória do seu Gilberto. Satisfeito consigo mesmo e com o mundo, começa a assobiar baixinho. O porteiro contempla-o em silêncio. Arrebatado de repente por uma onda de ternura, Inocêncio tira do bolso das calças uma nota amarrotada de cinqüenta mil-réis e mete-a na mão do mulato.

— Para tomar um traguinho — cochicha.

E fica, todo excitado, a olhar para as estrelas.


O texto acima foi publicado no livro "Contos", Editora Globo — Rio de Janeiro, 1983 e, agora, selecionado por Ítalo Moriconi, incluído em "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 173.



http://www.releituras.com/everissimo_menu.asp

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

balacobaco

- ooo...
- eaa, mas crutsz!
- ah, é?
- ooo...
- osvaldinho?
- ooo.. eaaa... framboesas amarelas.

silêncio pequeno, só para respirar um pouco:

- e chucrute, mas nanadinda uruto..

- aruto?

- no no, uruto! U-R-U-T-'u'... caspita... mas ingel forseg sonesplatiskas, mas ainda sssssshiiiiiiiiiii...

- complicado, ein..

- muito.


Conversas que não passam disso me chateiam. Mas quando eu to de mau humor... é melhor pular essa parte. Sem poesia, sem coerência, sem finalidade... puts, tem dia que eu não me aguento.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sangue

Um homem descia a rua, a uns bons quarenta metros na frente. Um shorts azul claro, camisa de algodão com gola e bolso, de um azul mais escuro. A cabeça de fios acinzentados, pele branca que reluzia à sombra das velhas árvores daquela rua, as costas já arqueadas pelo tempo. Seus passos eram pequenos, demorados. À frente, apoiava-lhe um andador, num compasso de três tempos – andador, passo, passo. Nos pés, um sapatinho de couro de um marrom clarinho, que usava sem meias. Os chinelos não lhe traziam firmeza, ao menos para uma caminhada como aquela que fazia.
Eu observava. Havia parado nestes quarenta metros atrás, a mãe precisava passar na mercearia. Não que eu concordasse: saia-se de lá sabendo que lhe foram expurgados ao menos uns trinta por cento sobre o valor do bem numa rede de supermercados, o bolso doía a cada assinatura na tal da caderneta. Mas domingo é domingo, e macarronada não sem faz sem molho. Então eu esperava, resignado, a compra. E foi nisto que notei aquele homem: meu coração prontamente enterneceu.
Não era qualquer um. Aquele pequeno homem, que andava num domingo de manhã sob a sombra de um dia bom (como zelava seus passos!), já há algum tempo não andava por ali. Disseram sobre problemas de saúde, cirurgia implicada. E implicada uma distância do mundo, da rua, do mercadinho, da farmácia, do jogo do bicho, das rodas de truco. Há algum tempo não se ouvia o assovio das marchinhas que ele trazia consigo da juventude, e sentiu-se falta de todos os causos que não se ouviam mais. Este tempo havido foi-se indo, indo, indo... de modo que foi surpresa para aqueles que lhe avistaram.
Ele não assoviava. A respiração estava concentrada na caminhada. Os braços fortes se apoiando no andador, força que talvez já não tivessem de fato. Ah, mas tinham de direito! E como tinham! Aqueles braços trêmulos, ossos marcados, a mão que teimava em fechar: diz-se da contingência da vida, e nessas horas nada é mais evidente para mim. Quis o destino que as mãos das quais tirou o sustento de seus filhos lhe negassem agora o trabalho; e a enxada já não poderia ser erguida por seus braços. Como que numa brincadeira, dava-se a ele agora uma única opção – resignar-se, pois o mundo já não poderia ser moldado por aqueles braços, e por aquelas mãos. Dor maior, para alguém assim, não posso imaginar que haja.
Pareceu-me que ele já não poderia empurrar por aquelas ruas o carrinho com o neto, que um dia ficou sob seus cuidados, ainda bebê, e com o qual passava de rua em rua dizendo: “olha, este aqui é o meu neto! netão do vô!”. Mas como negar, por isto, a idoneidade daqueles braços, que agora lutavam pra sustentar o velho corpo que teimava em envelhecer? Impossível. Porque os braços tremeluziam, a cabeça permanecia erguida. Era como se dissesse: “estas pernas e estes braços ainda não me venceram...”, os olhos azuis perfurando a rua. Era como se dissesse em alto em bom som: “eu gosto de viver, então não me atrapalhem”. E com os braços tremeluzentes, com seus passos curtos e cansados, este homem, a quarenta metros de mim, continuava. Parou ainda por alguns momentos, me deixando na ânsia de me aproximar. Mas logo continuou, um passo atrás do outro – ele saíra sozinho de casa, e sozinho haveria de voltar.
Sua cabecinha branca cinza chegou até um portão, eu pude ouvir o nhéc característico – mais uma adivinhação do que fenômeno físico que se relacionasse de alguma forma com meu aparelho auditivo. Logo, desapareceu quintal adentro. Em vinte metros de caminhada, uma postura que surge de uma vida inteira, e que se impõe sem uma palavra sequer.


Tenho orgulho deste sangue.


A esperança é um dom
Que eu tenho em mim

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O mar

Meus pés tocam a areia.
A água do mar se refugia entre meus dedos,
molha fria a pele.
Os pêlos vão e voltam com a água
do mar dourado de fim da tarde que emerge.
Eu caminho, me confundo: sou eu que vou, ou é o mar que fica?
Pequenos paradoxos da areia,
existindo numa quase inexistência... pequenina.

Mas não estou para filosofia.
Hoje não.
Deixo a água fria molhar-me, sensualista na íntegra, negação de mim.
Feixes de pensamento simplesmente surgem,
surgem e se esvaem, como a água que molha meus pés.

É o mundo dentro de mim.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Deus triste

Deus é triste.

Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.
A tristeza de Deus é como Deus: eterna.

Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.

Drummond... por si mesmo.


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio
e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Catedral



"Meu coração é secular
Sonha e desagua dentro de mim"

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Tás a ver?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Flor e a Náusea

Drummond, pra variar um poquinho...

Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


"a flor SEMPRE vence o asfalto.

A bondade que há em vc é a flor!"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Discurso

Boa noite a todos. Primeiramente, gostaria de agradecer a presença de cada um de vocês. Familiares, professores, amigos: é uma honra para nós, formandos, recebê-los. E aproveitando as atenções voltadas, eu gostaria de agradecer, em público, à Liliam e à Nathália, sem as quais esta festa não estaria acontecendo. Muito obrigado.

Bom, eu estive pensando por algum tempo no que nós poderíamos dizer a nossos familiares num momento como este. Confesso que a responsabilidade é grande, não só por mim, mas por cada formando que aqui represento. Busquei então escrever estas palavras de forma que exprimissem, ainda que concisamente, o que estamos sentindo agora.

E não há como voz dizer o que sentimos agora sem dizer que não sentimos sozinhos. O que sentimos agora é, no mínimo, um sentimento coletivo que compartilhamos com todos aqueles que amamos. Alegria, superação, projetos cumpridos, projetos que surgem de agora em diante. Ansiedade... e por que não, felicidade. Há um misto de emoções que nos persegue desde a última nota lançada, e que parece não ter fim. Eu tenho certeza que boa parte dessas emoções, meus caros formandos, não se resume, de maneira alguma, somente a nós.

Eu não poderia descrever a vocês, por mais que tentasse, o que é um abraço orgulhoso de pai, ou abraço de mãe, nos parabenizando pelo término deste ciclo de estudos, que com tantos percalços passamos. Eu não poderia, eu não ousaria descrever a vocês, o que é confidenciar à pessoa amada, aquela que a gente quer pelo resto da vida ao nosso lado, como foi bom tudo que vivemos neste período. Eu não incorreria na injustiça de dizer quão melhor foi o aperto de mão deste ou daquele irmão, ou o beijo dado pela irmã, seja a ruiva, seja a morena.

Eu só posso vos dizer que todos estes sentimentos são únicos, e que esta exclusividade vem do fato de não nascerem agora. Estes sentimentos nasceram, e foram cultivados, por aqueles que nos rodeiam, no dia a dia de cada um. Quem sou eu aqui para vos apontar a essência das relações humanas? Ninguém... Mas posso afirmar, sem remorso algum, a riqueza de cada momento vivenciado ao lado das pessoas às quais devotamos nosso tempo, e para quem somos objetos de devoção. Será que amar poderia ser melhor definido? Eu acredito que é por estes momentos que todos vivamos, no fim das contas. Uma crença, por certo... mas quem não tem?

Quiçá haja um Deus, mas que não seja necessário um céu além vida. Cultivemos nossos laços aqui, imperfeitos que sejamos, os melhores possíveis. Para aqueles que nos permitem cultivar laços, e que porventura acabamos chamando por família, eu, em nome de todos os formandos, agradeço. Muito obrigado por estarem aqui hoje. Mas acima de tudo, muito obrigado por chegarem conosco até aqui. Eu agradeço a atenção.

Tudo muito bom. Não há muito mais do que isso para dizer. :D

domingo, 18 de janeiro de 2009

Passarin

Uma guria ao sul. Um fim de semana intenso. Intenso demais, transbordei até. Agora o rio vai voltando ao seu leito, trazendo consigo toda a enchente. É assim a vida: não cabe num leito de rio – é mais ampla, planície toda, e além. A guria ao sul, esta guria! Me transbordou – vida fora do leito. Certezas? Poucas. Dúvidas? Poucas também. Só eu, inundado que seja, desinundando.
Ah guria, como gosto d’ocê! Saudade não mata, aproxima. Te amo? Sim, por modos e desmodos, odes e folclores. Mas nada que machuque: guria branca, rosa, bochecha feita pra beijo. Deixa estar, guria. Não preciso te idealizar para tocar tuas mãos. Uma ode aqui, outra ali: nada substitui a presença. Mas que presença? Ah, do avião que aí não pousa, do trem que por aqui não passa, não posso reclamar: há ainda você, e meia dúzia de linhas de ônibus, e bons cd’s de blues para se ouvir viajando.
E há, como sempre, motivos. Eu, apaixonado? Como não ficar? Mas é coisa minha, pequena. Transbordado, todo. Passarin que se apluma... fica mais bonito, como não? Mas se achegue, meu xodó, deixe estar. Que agora to transbordado – meu leito no fim ficou mais fundo, constato. E perdoa a linguagem, coisa minha também, que não imponho, mas também não nego. Ela clareia com o tempo, há de se ver.

Passarin... meu mundo por um sorriso teu.


oxalá encarnasse logo guimarães!

Interpretações de aula 03

As categorias de Kant são as mesmas categorias de Wittgenstein, e como em Kant, são condições, são limitações: de conhecimento do mundo. Aquilo que é cognoscível (Kant) ou 'dizível' (V ou F, bipolar: Wittgenstein), o é delimitando-se aquilo que não o é. Mas tais condições que nos levam às categorias unindo ambos os filósofos são vistas sob perspectivas (origens) diferentes. Para um, o início são os sentidos, pois seu problema é conhecer (acrescentar a noção 'objetivamente' seria redundância?); para outro, ficamos na linguagem, o problema é lógico. Um fala de intuição sensível, o outro de bipolaridade da proposição. Mas ambos excluem o metafísico, o místico. Sobre aquilo que não é dado por uma intuição sensível não posso conhecer - tenho fé somente; sobre aquilo que não é mundo, caso, fato possível, V ou F, não digo nada, mostro - fico na mística.
Mas esse elo de ligação (as categorias como condição de possibilidade, que remetem-os a uma transcendentalidade) é abandonado por Wittgenstein: ela abandona a universalidade das ditas categorias. Esta universalidade é necessária se tentar-se ligar o mundo e a lógica (numa teoria da representação); mas se a lógica tomar-se somente como condição de possibilidade, a ligação com o mundo (0 ser da cadeira na proposição 'a cadeira esta entre mim e ela') é desnecessária, a figuração é arbitrária, contingente. Se aceitarmos a universalidade das categorias, incluir-se-ia a categoria de substância, e dai teríamos a necessidade de um referente (como Kant implica da noção de temporalidade do sujeito pensante), e disso um ser, e disso uma ontologia... A questão é: se as categorias não são universais, podem ainda chamarem-se por categorias?

Com a abolição da universalidade das categorias, Wittgenstein entra no rol dos contemporâneos que tentaram sair do maniqueísmo "absoluto x relativo"; no máximo, admite-se uma tendência à universalidade, universalidade que não se alcança - há boas razões para a lógica se ligar ao mundo, mas a representação não é necessária; há boas razões para uma Ética, mas ela não é absoluta. Temos pressuposta uma racionalidade em processo de reconstrução e que busca maior abrangência para lidar com o mundo: ela não busca ser absoluta. Seria assim marcada a razão comunicativa de Habermas, seria assim marcada quando Wittgenstein fala sobre uma categoria não universal.

Pulemos um pouquinho para Heidegger: ora, temos nele uma visão diferente de representação. A questão não é se a representação é necessária ou não, se é assim ou assado. O problema é que tal representação - a ligação da proposição com o mundo - se dá como uma forma de limitar o ser, que transcende a linguagem. Categorias são as únicas formas que temos de alcançar o ser, torná-lo ente é uma mal do qual não podemos fugir. Mas isso não implica, como fizeram na história da filosofia, que o ser seja esgotado por estas categorias: seria um contra-senso, como a introdução de Ser e Tempo indica. Categorias, formas do objeto possíveis, representação clara e distinta: são momentos posteriores e meras delimitações de um ser que se apresenta a nós, que se mostra - depois disso é que re - apresentaremos este ser em nossa mente. A linguagem, como quer Wittgenstein, é limite do ser, se afigura como condição de sua possibilidade - Heidegger não parece negar esta tese, pelo contrário. Tanto em Heidegger como em Wittgenstein, a linguagem é a morada do ser, seja como fato que se dá ou como existência que se desvela através de. Me pergunto, agora, se Wittgenstein vislumbrou essa transcendência do ser apontada pela diferenciação ser-ente heideggeriana... bom, fica para as próximas aulas, as quais, pelo seu fim, fazem-me sentir muito: filosofia, no fim das contas, não se resumiu a aulas chatas de professores sem paixão.

(Por que será que existem professores que conseguem tirar o máximo de todos os alunos? Acho que, já que o blog é meu e achismo é o que há, é porque eles são pessoas felizes com o que fazem, não o fazem por mérito, por cargo ou para, como diria a maíla, saber quem tem o pipi lógico maior... Ou talvez o errado da história fosse eu, ueh... pena descobrir isso no último semestre)

Bom, e o Merleau Ponty? Ah, meu, tá bom de notação da aula por hj...

Interpretação de aula 02

Meu, Sartre é interessante... mesmo com poucas leituras, acaba-se sendo chamado pelo texto... e as aulas de Fenomenologia continuam boas!

"Bem longe de sermos relativistas, proclamamos com firmeza que o homem é um absoluto. Mas ele o é na sua hora, no seu meio, na sua terra... Não será correndo atrás da imortalidade que nos tornaremos eternos: não seremos absolutos por refletir em nossas obras quaisquer princípios descarnados, suficientemente vazios e suficientemente nulos para passarem de um século a outro, mas porque combatemos apaixonadamente em nossa época, porque a amamos apaixonadamente e porque teríamos inteiramente aceito morrer com ela."

em outras palavras, um sujeito transcendental não basta... ontologicamente falando, o homem é no mundo, indelevelmente... parece que o problema não é epistemológico, ou resumiríamo-nos a kant, que se basta. Antes, supera-se o dualismo sujeito/objeto: é o próprio significado de ser homem que está em jogo, e por isso uma revisão do Cogito, por isso uma queda da transcendência inata da consciência. Ora, penso, mas penso no mundo; transcendo, mas por opção - a transcendência não é condição de meu ser até que por ela eu me decido enquanto ser livre. Antes de aprender como conheço o mundo, cabe me perguntar o quão posso fugir desta alternativa.

Interpretações de aula 01, ou "A homenagem ao filósofo"

o professor, sobre a homenagem ao filósofo: "Descartes não precisa que alguém o copie. Seu pensamento é maior do que isto."

Fera, como diria o Thiaguinho! Eis aqui sintoma de boa aula: me leva a escrever sobre ela. De fato, para me dispor a dizer o que Descartes disse, dou o livro ao aluno e pronto: tá lá tudo o que ele precisa saber. Por que 3 horas de análises lógicas de um texto morto? Para que o tempo perdido em um conjunto de proposições sem significado algum?
Ah, minha cara Angélica, filosofia não é ociosidade! Somente para aqueles que não vivem o pensamento que têm em mãos (tá, o "têm", segundo novas regras do português, já não é acentuado, me lembrarei disso - assim como perca é pra verbo e perda é substantivo, hehe). Não seria, no fim das contas, papel do professor fazer com que seus alunos justamente vivenciem o pensamento? A físis dos gregos, sua paidéia, seu télos, o valor de seus mitos; a força de um Sócrates, Nietzsche lhe impunhando a espada; a lógica aristotélica, mãe de toda ciência e da fuga do ser para o reino das categorias; filósofos, sofistas ou poetas: quem no fim tinha razão? Ah, o desejo de saber dos arábes, sua fé impregnada em seus textos; o desejo de saber dos modernos: a fé transplantada no homem - o desejo de saber dos nossos: nossa falta de fé, nossa necessidade dela; eu transcendente e o mundo esquecido, o mundo reinante e o papel em branco: idealismo e realismo se batendo, Kant os conciliando - ou tentando.
O romantismo nos trazendo de volta ao mundo, e aqueles que faziam ciência só em aparência aqui continuavam - já estavam nos mais distantes mundos matemáticos. O homem e sua consciência de classe, ganhou-a tão rápido quanto a perdeu. O velho paradigma sujeito objeto que insiste em fazer parte da nossa estrutura, e o qual insistimos em não nos deixar resumir. A ontologia revista, a ética sempre pendente de um valor universal - que bom! O retorno da religião, o surgimento dos fanáticos sem Deus - suspeito que no fim das contas nunca houve fanáticos com Deus. Ah, a beleza do verbo religare: as sutilezas de um professor Paulo para nos dar um sentido tão mais ameno para religião! Quanta história pra se contar! Quanta coisa pra se viver!
E seria outra coisa? Filosofia é viver intensamente a realidade do mundo, e isso nunca implicou na primazia da razão; ela só é instrumento: o discurso filosófico é sempre argumentativamente elaborado, mas sua mensagem transcende em muito sua forma. O irracional é marca do homem, tanto quanto sua racionalidade - afinal, o velho clichê ainda é válido: não somos máquinas. O mundo todo nos transcende a linguagem, e nossa razão nunca o abarca por completo: precisa de mais para dar valor ao que cada ser humano sente? Somos um estar no mundo, e a percepção de nós e deste mundo nos torna livres, e condenados: condenados por sermos consciências do que somos, livres pelo mesmo motivo.
Quantos bons não buscaram a compreensão de seu mundo? Os melhores entre nós nos deixaram marcas, mas estas estão só para colorir: marca do homem já tá nele quando nasce, mesmo que quando cresça ele a renegue. Todos pensamos, afinal. Não dá pra saber de onde viemos, mas que temos uma forma parecida, ah temos. Vai saber... O importante é que, parecidos que somos, pensamos, choramos, sentimos da mesma forma, ou pelo menos assim faz parecer textos como este. Quem dera eu pudesse me contrariar e abarcar o mundo todo com as palavras! Mas não posso, e é a graça. Fica assim então, hehe:

Não copiemos Descartes! Vivamos, e deixe que uma hora ele se torne útil nesta caminhada.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aula 04 - c'est fini!

- Galera, hoje provavelmente será nossa última aula... bom, quem tem perguntas ou redações para entregar?
Uns quatro entregaram as derradeiras.
- Bom, círculo, agora...
- Como?
- Formem um círculo... eu espero.
Foram carteiras que se arrastavam, cochichos que se fizeram, dois minutos e a sala se refez em uma nova forma. Os grupos tradicionais, já conseguia identificar mais ou menos quem era quem, e quem conversava com quem.
- Moçada, sobre as questões, faltam umas quatro para eu corrigir, então não vou entregar agora... Mas adianto que houve pessoas que me surpreenderam, foram muito bem. Parabéns à Ayumi, à Bárbara, à Rúbia.
A sala atenta.
- Houve aqueles também que, se não foram tão bem na interpretação, o fizeram de maneira satisfatória – tentando acessar o texto com o próprio pensamento. Isso foi muito bom. Agora, para aqueles que copiaram ou que não levaram a sério, não preciso dizer muita coisa. Ceis podiam ficar em casa né...
Eu não digerira ainda aquelas cópias; mas agora elas já não importavam.
- O que eu gostaria de que vocês tivessem assimilado? Bom, primeiro, esqueçam essa história de que o existencialismo é contra Deus... aqueles que insistiram nisso têm que reler o texto, não entenderam muita coisa. Vocês acham que filosofia se resume a uma disputa com Deus? Nem, ela é maior do que isso, pro bem ou pro mal.
- Quem sou eu? Alguém aqui me responde? Você aí, e não vale dizer o nome...
- Ah professor, eu sou um homem!
- Muito bom... Alguém mais?
Aquelas meninas olhavam, eu sabia que estava sendo observado por elas. Não abriram a boca, mas prestavam atenção. O rapaz da redação do Joãozinho também: desde o dia da flor que era feia, eu era um professor para ele. Ayumi estava ao lado meu, começo do círculo.
- E o certo e o errado, o verdadeiro e o falso? Há um valor universal para o bem, para o certo, para o verdadeiro?
- Sim!
- Qual?
- Não sei.
- Daí não vale.
A sala irrompia num silêncio. Ora, eu só perguntei do que é certo para eles, não havia dito nada sobre Deus. E a verdade, todos ali tinham uma noção do que era, então por que não podiam falar?
- O certo para mim é para mim, somente, professor.
- Bom, então o certo é relativo?
- É..
- Todo mundo concorda?
Com muito custo, o rapaizinho do valor universal disse novamente:
- Não, tem que ter um certo...
- Por quê?
- Não sei...
- Então não vale... Moçada, se o que a Marcela está falando é verdade, não há justiça... não há nada mais do que a lei do mais forte (não fora para contra essa tese que Platão escreveu a República?). Ninguém aqui consegue me dizer o contrário?
Vieram tentativas. Não muito razoáveis, mas tentativas. A aula estava acabando, era a última de regência...
- Moçada, um pouquinho de vossa atenção... São nossos últimos minutos né?
- Professor, e você, quem é?
É mole? Aos quarenta e quatro do segundo tempo os espertinhos me mandavam uma dessa?
- No que você acredita? – um reboliço geral: eles sabiam que tinham me pegado.
- Bom, eu? Ãhh... deixa eu ver... estudante de filosofia!
- E...
- Ah, com esse barulho todo eu não consigo falar – eu estava vermelho, e tinha plena noção disso.
- Errrr.... – o coro me colocava contra a parede.
Dei sorte que eles comentavam uns com os outros a situação, e mudei de assunto:
- Mas então gente, o texto de filosofia não é importante porque valeu nota... A nossa intenção era fazer com que vocês lessem, e leitura é estritamente individual. Eu tenho certeza que alguns de vocês captaram o sentido do texto, e toda a carga problemática dele. E alguns ficaram tão preocupados com nota que responderam sem de fato entender. Bom, cada um tem um ritmo, mas agora esqueçam a nota... o texto está com vocês, leiam novamente, quando tiverem vontade, sem compromisso. Se não estiverem gostando, feche-o e tente outra hora. É isso que um texto de filosofia faz: fala-nos à alma. Cada um aqui, e eu tenho certeza disso, tem um pouquinho de si mesmo neste texto. Eu espero que vocês possam, um dia, perceber também.
Eles escutavam. O círculo e eu.
- Bom, alguém quer falar algo sobre Sartre? Não? Então estão liberados... façam o que quiser.
A sala em alvoroço se levantou. Todos em direção à liberdade! O vida cruel:
- Ops, façam tudo, menos sair da sala... - eu disse e sorri.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhh – veio o coro, e eu só sorrindo, deslavadamente.


No fim, eu já tomando o rumo da saída, vieram algumas alunas:
- Professor, você não respondeu quem era...
- Prazer, Marco – a mão estendida, na maior cara de pau.
- Ah, você disse que a gente não poderia responder assim...
- Sim, mas eu sou o professor, e sou total autoritarismo! – Cadê o óleo de peroba? Quase apanhei.
Ai ai, eu me divirto.

Aula 03

- Pessoal, só um pouquinho... - ele pedia a atenção da sala. Quem são alunos x, y, a, b, c e d?

As mãos se levantaram, meio surpresos: o professor sabia seus nomes então?

- Bom, vocês zeraram as perguntas. Um copiou do outro. Tudo bem?

E um grande e sepulcral silêncio deu-lhe a resposta. Carinhas envergonhadas, ninguém tentou negar.

- Bom, então é isso aí. Corrigi até o doze, então se alguém mais, além destes, copiou, me avisem que eu não perco meu tempo... vou zerá-los de qualquer jeito. E outra coisa: não percam o tempo de vocês, melhor logo não entregarem. Nada que um trabalho de trinta páginas não resolva, tudo bem?

Mais uma vez, o silêncio. Não é que aqueles dois estagiários metidos a professores estavam corrigindo as questões? E ainda comentando!

- Bom, é o seguinte: aqueles que copiaram tem até sexta para me entregar refeitas as questões, valendo 70 porcento da nota. Houve alunos que responderam, e muito bem, então não é justo que os engraçadões aí sejam avaliados da mesma forma. E considerem que eu lerei três vezes cada questão, então façam bem feito. Podem começar, todo mundo.

E a sala ficou quieta. De repente, pareceu nascer um amor pela filosofia, todos quietinhos, lendo o texto e respondendo. Uns três vieram se justificar sobre as cópias, outros 4 vieram avisar que copiaram e que refariam.

É, nem tudo são rosas. Mas também não foi tão terrível assim. No final, o texto esta sendo lido, e isso é o que importava para os estagiários. Mesmo que aqueles jovenzinhos não pudessem entender a amplitude disso, aquelas idéias estavam ali, expostas. Outros horizontes, para a maioria deles. Quem sabe dois ou três não fariam filosofia daqui a dois anos? Bom, ter fé nem sempre é um problema.

-*-

Minutos antes da aula, um doce encontro. Foi ali que o jovem professor estudara a já alguns bons anos, e foi ali que conheceu a filosofia. Seu professor era formado em história, na época filosofia era só uma sementinha na grade curricular - faltavam professores, faltava noção do porquê filosofia (talvez hoje ainda falte, mas tem um número considerável de pessoas tentando mudar o quadro). Sabia que aquele professor seu não estava mais ali, e não mais ensinava filosofia: a UEM formou sua primeira turma, e depois a segunda... o jovenzinho faria parte da sexta turma formada! Bom, tanto maior a surpresa, tanto maior a doçura do encontro:

- Professor Luís? Como vai - a mão estendida.
- Marco Aurélio? O, rapaz! - depois de sete anos, o aluno lembrava do mestre, o mestre do aluno.
- Angélica, este é o cara responsável por me fazer gostar de filosofia.
- Prazer.
- Prazer é meu.
- O senhor não está mais aqui né?
- É, agora estou no Núcleo... mas e você, que que faz aqui? Faz tempo que não te vejo!
- Sou estagiário... de Filosofia. Quarto ano.

Um sorriso mútuo, de segundo, transpareceu. O aluno agora se tornarva um mestre? O tempo passa, as crianças crescem e nos surpreendem.

- Bom professor, tenho que dar aula... Mas tomemos um café algum dia desses.
- Claro, vá lá.
- Foi um prazer revê-lo.
- Igualmente.

Apertaram-se as mãos, o mestre e o aluno. Quão imprevisível é o tempo! Foi um doce encontro, com certeza.

-*-


Batera o sinal, os estagiários entraram na sala. Dois minutos para todos se acalmarem. Bom, se ser professor é isso, vamos lá, fazer o que né. Mal necessário...

- Pessoal, só um pouquinho...

Aula 02

Minha respiração está ofegante. O coração bate depressa, me sinto esgotado. A cabeça a mil, como uma prova valendo o ano. O vento toca minha face, e me invade um sentimento de completude. Sim, a cabeça a mil, voz e corpo, tudo transpira existência. O movimento das mãos tem um poder nunca visto, o discurso se inflama, o corpo emana inconsciente uma vivacidade sempre buscada: só percebemos a felicidade depois que passamos por ela, inconscientes de estar-se lado a lado com o que importa. Ah, ergo o volume do carro e deixo Zombie invadir meu ser, pertencer a mim – ou seria eu o invasor, excessivo, pleno, transbordante? O doce não seria tão doce sem o amargo, o silêncio não teria valor sem um turbilhão para precedê-lo...

Sim, sim, é muito conceito, e todos eles não alcançam-me, simplesmente. Por mais que me esforce para enquadrar o que sinto em palavras, as palavras parecem não bastar. Poema, não mais que um poema; poema, e toda a linguagem que se reinventa, e todo sentido se reconstrói, e toda contingência se faz presente! E Drummond me valeu, sem que eu esperasse, sem que eu quisesse, sem que eu visasse; tomou conta de mim:

“Sua cor não se percebe.

Sua pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.”

Sim, a flor que pintamos em nossa mente, de cores e cores, pétalas e talos, nomes e perfumes: ela não é nada! É retrato mal feito do que é: a vivacidade de uma flor que nunca, nunca, é superada por uma idéia. Sim, a flor no asfalto é feia. E nela há toda a beleza possível: o quase milagre da existência, toda persuasão que me transtorna, toda uma existência que se excede. Emana existência, a flor sem cores e sem nome. Não há lógica, não há linguagem, não há metafísica que transcenda a condição de existir – tudo depende e se volta para a imersão que é o homem no mundo.

- Por mais que você tente me definir: eu, ou você, somos homens. Nunca, nunca tua definição poderá me abarcar. Nós somos maiores que tudo isso, entenda. Nenhum esforço teu fará de mim algo que se resuma em uma idéia, se eu não quiser: e se quero, a escolha de ser como me pensas ainda é minha!

...

Ele acabara a explicação. Os alunos o olhavam, silenciosos. Eles pegaram suas canetas e, orquestrados, baixaram suas cabeças e escreveram. O professor se virou, o ruído dos lápis a percorrer o papel, a angústia para preencher um sentido. Sim, vocês são livres meus caros, pensava ele; vocês têm responsabilidade sobre suas vidas, e não há outra implicação possível desta constatação que não seja em vivê-la da melhor maneira possível.

Pela primeira vez, ele teve certeza de que entenderam. Não era preciso dizer mais nada.

Aula 01

- Professor, mas se Deus não existe, como que as coisas foram criadas? É claro que ele existe então!
- Não para Sartre... Para você compreender o pensamento dele você não precisa de Deus, entende? Simplesmente não é importante.
- E de onde vieram as coisas então?
- Não sei, de algum lugar... quem sabe um dia a ciência explica né? O que importa, para Sartre, é o que fazemos aqui, vivos, os que acreditam em Deus e os que não acreditam. Deus simplesmente não entra aqui.

E assim começou a aula. Que deus é um conceito superado, vá lá. Que a fé de cada um não é derrubada por nenhuma filosofia, outros tantos. Mas ia ele explicar tudo em 50 minutos? Não dava; então o lance era reduzir: que deus simplesmente não esteja no meio do assunto, Sartre é ateu e pronto! Afinal, tinha que passar pelo realismo de Aristóteles, o idealismo cartesiano, dar uma pincelada no conceito de fenômeno de Kant e voilà: a Sartre, por fim. Bom, isso tudo cabia em uma aula de 50 minutos? Só tentando! Resultado: aprendiz de professor esgotado; alunos se perguntado em que Sartre entrava na história, e, por incrível que pareça, uma alegria.
Alegria de estar ali, tentando passar o melhor do pensamento que o homem já produziu. Alegria de ver os alunos se aceitando animais racionais, mas compreendendo que a essência sempre é um problema; concordando com a sensibilidade como fonte de ciência, e ficando ferrados com o velho x sobre infinito que impede a universalidade desta ciência. Sensação boa de ter alguém afirmando “então o homem é o nada!”, mesmo que ele não pudesse compreender totalmente o que abarca esta frase. E descobrir que metade dos seus alunos (mesmo que por uma aula) assiste Naruto? Não tem preço!
Mas voltando ao balanço do dia, foi a primeira aula: se pecou-se, pecou-se pelo excesso, nada que uma boa conversa e uma dose de tempo não resolvam. Ah, o tempo: “se eu fosse o professor de vocês...”, me peguei dizendo, “até falava um pouquinho sobre deus”. Valeu ainda o elogio do estagiário da Puc, orgulho bobo que achei que não pudesse sentir: sim, carrego comigo, para o bem ou para o mal, cada professor desses cinco anos de graduação, e hoje ficou claro o quanto isso é verdade.

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Há uma hora antes da aula, me via na minha própria turma debatendo a educação: qualidade em detrimento da quantidade e vice versa, dificuldade de trabalho com alunos mal (obrigado serzinho) educados, salários que não condizem com a dignidade da carreira... fundo do poço e inferno meio que se encontraram naquela discussão. Afinal, porque cada um estava ali, sentado, aprendendo um monte de conteúdos para no fim enfrentar uma realidade longe da ideal? Meu caro Thiago diria que por pura burrice, dada nossas últimas conversas! É trabalhoso pacas traduzir filosofia para uma turma de adolescentes – simplificar sempre é difícil -, você ganha mau por este trabalho, é tido como o “alternativo” da família por não ter escolhido uma profissão decente – porque médicos e advogados aprenderam por osmose, sendo, portanto, quase deuses – e tem grandes chances de perder os ideais que te levaram ao magistério.
Em suma, ser professor, ainda mais de filosofia, que não serve para nada, é quase um pedido de auto-ajuda: eu tenho problemas! Naquela turma, portanto, estavam os futuros infelizes do mundo – cara, aqui eu to falando igual ao Rudah.
E o engraçado é que estavam lá, apesar do panorama. Alunos ruins se conquistam, aulas ruins se melhoram, o salário um dia sobe, está na nossa mão mudar... Otimismo? Bom, já disse Merleau-Ponty que as justificativas não são nada se não há uma vontade que as preceda. Por que raios queremos ser professores então? Porque queremos, escolhemos assim, e ponto. Aos problemas que aparecerem depois da escolha, dê-se um jeito, oras.
Contraditório? Talvez, ao menos se aqueles que se propõem a ser professores se contentam com um contracheque e um título que lhe garantam viver acomodadamente e reclamar do mundo. Mas estes não são mestres, são somente carteiras de trabalho assinadas com profissão “professor”. Mestre? A vida não é rosa, e nem todos podem aceitar sinceramente este título. Mas a todos aqueles que se proporam a exercer o magistério, seja-lhes esta a meta: ser um mestre, aquele que educa, que forma, que faz surgir no aluno o melhor que a humanidade lhe confiou. É possível que não dê certo? Sim, quase provável né? É possível fazer dar certo? Que se acredite nisso, ao menos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Eu, existencialista (da Liliam)

Essa eu tava devendo né minha cara mãe! :D


Eu?! Existêncialista?
Será possível ser existencialista quando repetimos o que já foi dito?
Vejamos: calça, camiseta, cabelo preso, sapato baixo. Sala de concreto. Cadeiras, carteiras, pessoas.
Jovens, na maioria. Alunos com certeza.
Há um professor?
Não! Hoje, não!
Lembro-me insistentemente que só o hoje existe, então, neste outro dia, que parece igual àquele que vivi, percebo que é sempre diferente. Sempre novo e sempre sujeito a não-ser.
Estou cansada e com calor. Sinto tédio.
Estou aqui, repensando o que já havia feito, mas não é o mesmo. Não tem como ser.
A existência contingente e nova, sempre.
Eu?
Existencialista, graças a Deus!

No posto

Agora, aos amigos. Pena ter perdido os comentários...

Era noite de quinta, calor fora dos eixos para um inverno e um posto com muita gente para que eles se sentissem a vontade nas mesas. Foram para uma mureta, papo bom não precisa de muita gente:
- Meu, entre uma grade de nova schin meia boca, ou uma galera pra tocar a “ferveção”, e três brahmas bem geladas num local sussa, qual ce escolhe?
- As três brahmas.
- Eu também.
- ...
- Tamu ficando velho.
- Pois é.
Pois é, pensaram. Agora já não eram muleques de 16, e a ansiedade pelo mundo real começava a fazer sentir-se. Mas não mais como aos 16. Eles já não sairiam para beber no modo “esponja – acabemos com a cerva do mundo!” (talvez em derradeiras horas, e olha lá); descobriram que podiam ver de outras formas as coisas que viveram juntos, e as que não. Perceberam que dar moral pra calouro de filosofia é fomentar bichos grilos malditos: deixem que leiam alguns textos primeiro e encarem umas boas aulas de lógica – os que não pirarem fumando talvez mereçam alguma consideração. Podiam rir de um centro acadêmico que fizeram, sem precisar dizer isso a ninguém, sem precisar provar nada a ninguém: só rir avermelhados do esporro que tomaram na sala da “diretoria” por causa da sala de micro, da idéia de construir a sede do ca com investimentos da votorantin, de trazer o benito de paula (nem lembro mais se era ele..) pra tocar no marista só porque nós tínhamos uma conta bancária...
É, agora eles já não tinham 16. Os vinte também passaram, e com eles colegas que foram ficando no caminho... Baratão tava por aí, papai, doido como só ele, sempre um dos nossos. Maurice? Este talvez tenha sido o mais brilhante aluno de filo a não concluir o curso. Matias? Puts, que figura. Discomuna: o cara mais irresponsável e mais sussa que eu já vi na vida, e um dos maiores corações também. Thiaguinho? Meu, o primeiro professor de carreira da turma! E o melhor secretário come quieto que alguém poderia escolher – orgulho do rapaizinho. Orgulho do Fabiano também, como não? O filha da mãe entro na Unicamp e dispensou bolsa da Puc, sempre naquele ritmo, na sede de acreditar em si mesmo, e detestando ver nossas tirações de sarro pseudo religiosas: Deus nunca foi a questão meu caro, só posturas. Juzinha e Carola – passavam férias em Maringá, as duas. Anderson, o indie; Nathália, o centro do mundo! Nossa cara presidenta, que acabou se achando no meio do curso; meu, é muita gente... Muitos cafés, muitas aulas matadas, muitos trabalhos feitos em cima da hora, muitos risos, muitas posturas...
E agora tavam ali, vendo de longe tudo isso. Um formado, o outro a se formar. A cerva era a mesma, o posto era o mesmo; o calor sempre foi o mesmo. Só os dois já não o eram. Um passara de mestre da pára-consistência a funcionário do serviço público federal ultra burocrático em potência, o outro da metamorfose ambulante de mil faces e mil fazeres a uma face cada vez mais quieta, interior. O peso da vida adulta começava a ser sentido por um, e no outro começava a deixar de sê-lo. Os dois estavam deixando as idealizações de lado, substituindo-as por metas alcançáveis – no amor, inclusive: encontrar a pessoa certa é misto de sorte e trabalho, em um estar bem consigo, e outras tantas coisas que podiam sentar e conversar por horas a fio, sem se cansarem.
Tinham a verdade do mundo? Não, só estavam mais maduros. Mas aquela brahma gelada, ah: a maldita continuava igual! E Deus fez a cerveja! E nossos filhos seriam lindos, de pais ricos e mães gostosas.
Talvez não tivessem mudado tanto assim.

Branca

Branca, ela.
Quase luz, tangível no vácuo,
transtorno por vazio cheio de branco.
Brancura de papel,
o refugo da tinta que não macularia-lhe sequer por ordem sagrada.
Branqueia, minina, branqueia,
branqueando toda categoria do ser,
ou auspício de linguagem,
substantivo que venha de mim.
Que o homem diz pra si, matuto na lida:
branca, branquinha;
esquece algures o cinza-jasmim
numa branquidão de segundo:
quase uma existência inteira!

Bom, bons momentos.
Hoje eu acordei, manhãzinha, meio agitado: sensação de que a pessoa que quero ao meu lado já não pode (por 'n' motivos) dizer o mesmo. Acho que nós dois aprendemos algo sobre dizer eu te amo. Mas isto é desnecessário agora, seria nos machucar um pouco mais – sei quanto ela está machucada por me machucar, e não serei eu quem a acusará de alguma coisa. A escolha, no fim das contas, ainda foi minha; nossa responsabilidade é dividida, gostaria que ela soubesse disso.
Bom, voltando: eu, acordado, meio agitado, vamos ao mundo que ele não pára só porque queremos! O som dos carros numa Colombo sempre congestionada se confunde com o som do Baú da Mix, na rara hora em que escuto um programa de rádio sem querer voltar correndo para o bom e velho blues. Daí toca uma musiquinha antiga dos Paralamas, que já não ouvia a algum tempo. Fecho o vidro do carro e deixo a música se apossar do ambiente, me tocar, entrar em mim; deixo que ela me ponha uma vontade de sorriso no rosto. E olha que o que mais me dá raiva nas horas de fossa é ouvir bruno e marrone ou qualquer tipo de outra corno music e ficar me identificando – pelo amor de deus, o mundo nunca será tão ruim assim (fica decidido, em caráter irrevogável, que eu mesmo me darei um pedala Robinho em casos de suprema auto negação como esses). Mas sei lá, com a musiquinha dos Paralamas foi diferente; fez todo sentido... “saber amar, é saber deixar alguém te amar...”

(pena nunca achar o clipe original no tal do youtube... desconsidere-se as imagens, fico só com a música)



Tão simples, tão concreto, tão pleno... São por momentos como este que dou minha cara a tapa. Mesmo que as pessoas não possam entender. Mesmo que, para a maioria, seja somente levar água com a peneira. Mesmo que ela já não possa me amar pelos meus despropósitos, e sim me apontá-los como tais. Não há culpa. Há vida, e ela continua, em cada sensação que houver, em cada pedaço de tempo presente – pedaço cheio do mundo, pedaço cheio de mim. É assim que me escolho, serzinho. Foi assim que escolhi lhe amar, um tempo atrás, em cada toque seu (a pressão está sendo repensada), e quiçá será assim que escolherei lhe esquecer, daqui pra frente, se é esse seu desejo.

Fica novamente a mensagem. Mas a música continua bela... :)

Presente

Presente dado, presente agraciado. O tempo juntos é pouco, mas precisa ser mais? Ah, precisa! Com toda a necessidade de uma tautologia, toda vontade que surge de mansinho numa caminhada a tarde, com toda verdade de uma lembrança viva no pensamento, ah, precisa...
Precisa ser sussurro no ouvido, música, baixinho. Precisa ser mãos dadas, dedos a se procurarem de leve, brincadeira de criança. Precisa ser falta do que fazer, simples presença do outro. Ah, como precisa! Precisa ser tentativa de recorde de hibernação em dupla, ou um leite quente numa hora imprópria. Precisa ser encontro em rodoviária, passos e sorrisos que se aceitam. Precisa ser a boca que procura a nuca, a nuca que procura a boca. Precisa ser aconchego do corpo, precisa ser colo, e cafuné. Precisa ser dia de sol em dia de chuva, brisa quando quente demais. Precisa ser um andar descalço, uma dança a meia luz, um vinho ao som de Carla Bruni. Precisa ser vontade de ficar junto, precisa ser ruim ficar longe – mas precisa ser sereno também, justamente porque distância dói.
Ah, precisa de mais? Como precisa! Se não há a pessoa certa a priori, o há por escolha. Conto de fadas nunca foi sobre fadas, mas sobre vontade de alguém. Difícil explicar o que nos leva a ficar juntos de outra pessoa? Nem a pau, eu mesmo tenho minha lista: beijo, abraço, conversa, bronca, segurança, leveza, alegria, compreensão, desejo, respeito, afeto, liberdade, caminho, futuro, construção. Mas são só atribuições que delimitam em certos contextos quem queremos, como numa construção nossa, uma vontade de definir... e amar não é definição! Se fosse, amaria logo um teorema, lei ou postulado... o bom mesmo é a beleza do outro, livre de nossas expectativas e definições sobre ele. Amar acaba então sendo um estar junto, uma vontade de estar, uma precisão do outro assim como ele é. Amar é saudade que rola como o Urucuia, longe e forte, num devir que vem, vem, vem vindo... e a vida toda vai passando, rolando correnteza.
Amar é presente, dádiva do tempo. Obrigado, pequena.

Obrigado, pequena. Por quantas vezes eu puder te dizer, obrigado.

Pedaço de céu

Ela veio,
pedaço de céu,
rosa poente e aurora.
Negar-lhe, Deus?
Sendo aurora amanhece em mim, a pequena;
e poente, acalenta a noite.
Brilha e rebrilha, surpreende, estar sendo.
Amor.


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Efêmero

Eis aqui um começo.

Sublime sensação de quero mais. Percepção do mínimo detalhe do outro, o outro aflorado em mim. Qu'est que c'est? Perco as palavras quando não devo... Outra hora elas voltam...

Ae, foi eu desistir de escrever que o termo surge de algum lugar: efemeridade! Voltemos, oras pois, sobre o efêmero. Algo passageiro, de constância não necessariamente definida, algo que é destinado a cessar-se. Resume-se bem em momentos, pela duração e transitoriedade, e perpassa nosso cotidiano quase que num piloto automático: apreciar a transição não é algo que seja comum, justamente por ser tão comum a tal transição – me permito o uso disfarçado do princípio de identidade, outra conotação para o óbvio.

Fato é que, se num primeiro momento a mudança, o cessar ser, é algo tido como ruim (vide casais apaixonados), um segundo olhar compreende sua dinâmica e acaba percebendo-a natural, algo contra a qual não se luta. Pressupõe-se o velho grão de areia que vai ao mar quase que indiferentemente aos seus pares, nossa pequenez para mudar algo no mundo a não ser nós mesmos. Se a plenitude é a meta do ser humano, ela não o é sem considerar nossa realidade mundana, corrosível, findável. E justamente nessa consciência reside toda a nossa grandeza, a saber: o direito a optar por esta ou aquela mudança, optar em como lidar com elas em diferentes contextos.

Posso aqui parecer arrogante? Afinal, poucos sensatos chegaram a definir a natureza humana em seu ideal ao longo do tempo. Mas algo me diz, na condição de humano, que tenho o direito de me pensar, e isto sempre me leva a colocações de amor à humanidade, ao seu mundo. Ao homem, quem deu o direito de nascer e morrer? Sem a busca dos princípios últimos, digo que os próprios homens decidem sobre a vida, e haja responsabilidade! Somos nós quem lidamos com a morte, não Deus. Somos nós quem precisamos passar uma vida nos indagando a existência, não Deus. Somos nós quem nos inundamos de prazer e dor, nas facetas mais diversas possí