As pessoas mais próximas a mim sabem porque estou em Porto Alegre. Aliás,
suponho que estas já leiam o blog e tampouco precisariam ser lembradas de todos
os percalços que me trouxeram até aqui. Mas este blog é o registro público de
histórias que quero contar, sem maiores pretensões do que compartilhar como vejo
o mundo, somente porque compartilhar é o que nos torna humanos. Sou mais um
grãozinho na areia do universo, e, portanto, ofereço humildemente minha
perspectiva a partir destes lados deste fluxo de existência irrisória -
apaixonada em demasia?, talvez. Mas sincera, se isto ajudar a valorar em algo.
Pois bem, estou em Porto Alegre,
capital de tantas belezas e desigualdades. Quem me vê falando sobre ela tem certeza
que é Narciso de Caetano, achando feio tudo o que não é espelho. Mas há beleza nela sim, reconheço - prometo um dia um texto sobre ela, merecidamente. Hoje, no
entanto, escrevo para contar um fim de ciclo - ou quase fim.
Para cá rumei por
um coração cheio de esperança, jovem e tolo. Por cá fiquei por ter um coração
cheio de esperança, ainda que sofrido. Por aqui estou por ter um coração
dividido, meus dois amores daqui, que não são os amores de Maringá. E, nessa
história com corações para cá e para lá, um Mestrado, Idealismo Material na
Filosofia Kantiana, se ainda me lembro. Um projeto que nunca terminou, pois na
minha vida apareceu a Restinga.
Deus me permitiu que, tantos anos depois,
pudesse retornar, não mais para falar de Kant e me enamorar por Heidegger, mas
para falar à Academia sobre essa Restinga, esses meus alunos e alunas que
fizeram de mim tanto do que sou, um professor. Foram tantas desventuras! - todas
elas contadas por aqui. Foram tantas e tantas doçuras, e estas também estão
guardadas. O que não havia, e agora há (quase, quase), era um título, e o que
ele representa.
São 16 anos longe de minha família, devido à escolha de estar
aqui por este título, que era passagem e acabou virando morada. Por isso, nessa
data, ainda formatando o trabalho e aguardando o parecer de meu orientador, faço
questão de registrar aqui que o texto está pronto! (tá, pronto porque
Rudah,Tanise, Élida, Lázaro, Lígia, Larissa, Teresa e Roberto querem que esteja,
porque eu escreveria mais uma tantada, e quando olho para ele só vejo lacunas,
rs).
Não sei se me tornarei Mestre, há uma banca para enfrentar e questões de
prazos a se resolver. Mas o fruto do trabalho está colhido. Compartilho abaixo
meus agradecimentos, e deixo para compartilhar depois algo sobre o texto, vai
que me mandam reescrever tudo neh? Rs. Mas os agradecimentos são meus, e estes
eu não mudarei. :)
Agradecimentos
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de
Financiamento 001.
Agradeço ao Programa de Mestrado Profissional em Filosofia
(PROF-FILO) e à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pela
oportunidade de qualificação e pelo espaço de diálogo acadêmico. Em especial,
aos professores e professoras que incitaram uma reflexão profunda sobre nosso
fazer docente, nunca desvinculando o olhar crítico e necessário de uma
sensibilidade acolhedora para com os mestrandos.
Agradeço ao meu orientador,
Professor Doutor Rafael da Silva Cortes, por dedicar seu tempo e compartilhar
seus saberes de forma generosa e paciente, garantindo todas as condições para o
desenvolvimento do trabalho; e por firmar exemplo na defesa de uma educação
pública e qualificada.
Agradeço à banca examinadora, Professores Doutores Lázaro
de Oliveira Evangelista, Valdy José de Godoy Junior e Paulo Hahn, pela leitura
atenta e apontamentos generosos, permitindo-me lapidar as ideias que sustentam
as intervenções apresentadas. E por me concederem a honra de aprender com eles
nas salas de aula que compartilhamos.
Agradeço às comunidades escolares das
escolas municipais Dolores Alcaraz Caldas, Senador Alberto Pasqualini e Nossa
Senhora do Carmo, para as quais este trabalho se destina, pois me permitiram a
passagem de um licenciado em Filosofia para um professor, permitindo-me intervir
para que o mundo seja um lugar melhor.
Em especial, agradeço a meus alunos e
alunas, cuja coragem frente à realidade inspira que se busque quais problemas,
de fato, importam. Para quem se busca propor um sentido libertador e humanizante
em tantas horas passadas numa escola. As agruras da docência nesses tempos são
podadas quando vocês florescem sob nossos olhos.
Aos colegas de mestrado, pela
parceria e ótimos momentos de discussão filosófica a partir de uma vivência tão
única como a escola pública. Tamanhos esforço e dedicação motivam para que
insistamos, por difícil que possa parecer o caminho. Sigamos ombreados!
À minha
família e amigos, agradeço todo o suporte que permitiu que este texto viesse à
tona. À dureza da realidade, contrapuseram a doçura de presenças, leituras e
carinhos, pequenos e grandes gestos que sustentaram meu ser. Por isso agradeço,
nominalmente, a Rudah, por sua amizade transfigurada em leituras e diálogos; a
Élida, por me ajudar a desvelar caminhos e motivos; a Tanise, por estar ao meu
lado e apoiar a jornada, de mãos dadas e dedos entrelaçados.
Para Lígia e Lara,
agradeço pelas palavras de acolhida e pela certeza de que a escuta sempre estará
lá. Mas, principalmente, agradeço por me permitirem compartilhar com elas esse
mundo tão nosso, admirando as pessoas que se tornaram e, mesmo de longe, deixar
o orgulho correr solto por um cantinho do coração.
A Teresa e Roberto, agradeço
por me permitirem chegar até aqui como o homem que sou, pelo cuidado que sempre
tiveram e por todas as lições que nos tornaram gente. Agradeço por preencherem
tão radicalmente essa categoria que chamamos pai e mãe, não deixando traço de
dúvida sobre como amar a um filho.
Finalmente, agradeço a Felipe, meu projetinho
de humano, por sua rica e abençoada existência, a qual me foi dado o privilégio
de guardar. Dentre tantos motivos para sonhar com um mundo diferente, ele é
aquele por quem não me permito desistir.
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