Desde de 2010,
naquele fatídico março de mudanças, a coisa toda estava entalada. Era a hora
chegada, o gosto idealizado cultivado por alguns anos se transformaria em
papilas gustativas devidamente saciadas. Mas, emprestando dinheiro para viajar
à Porto Alegre, como ir à São Paulo vê-lo tocar? Já estava aí decidido que não
iria, mesmo com as inúmeras viagens da imaginação buscando soluções mágicas
para contornar dois destinos tão desiguais.
Não gosto de
blues desde sempre. Tenho a pança cheia e meus problemas existenciais nunca
foram levados à música de contestação, como o rock. Me divertia, quando guri,
tocar o violão fazendo canções bobas de amor. Se alguma música ajuda a definir
o que sou, ela passa pelo tal do caipira que meu pai e meu avô escutam. Rock,
não. Talvez o tal do pop rock, aquela coisa aveludada com riffs de guitarra e
cara de mal de jovens com pança cheia como eu. Efêmero.